“SOBRE O QUE DEUS TEM FEITO”
(Paulo Queiroz)
Somos pequenos. Somos infinitamente menores que Deus. Somos tão limitados que jamais seremos capazes de medir o amor de Deus por nós. São tantas coisas que Ele faz pelos seus filhos -- todos os dias -- que chegamos a ignorar a sua bondade. Só costumamos prestar atenção nas coisas que pedimos. Às vezes até exigimos que elas aconteçam; e tem cristão que até estabelece prazo para Deus agir em sua vida, como se fosse possível se medir o tempo de Deus. As coisas que não almejamos, mas que Ele nos dá todo o tempo (livramentos, alegrias, proteção, vitórias...) consideramos apenas “coincidências”.
Na nossa célula, ontem, discutimos, debatemos, e aprendemos que Deus nos ama tão incondicionalmente que não nos poupa nem das tristezas, nem das decepções, nem das amarguras da vida, justamente porque Ele considera que são acontecimentos essencialmente necessários para o nosso amadurecimento espiritual.
Deus tem feito tantas coisas em minha vida, que apesar de todos os atropelos que estou enfrentando (perdas, inquietações, frustrações, preocupações, etc...) sinto dentro da minha alma que o Seu amor por mim não enxerga os meus pecados e nem as minhas transgressões, por mais graves que estas sejam.
Aprendemos que o amor de Deus não se mede. Não se escreve. Não se define. Não se exprime... O amor de Deus é incomensurável. Deus tem feito tantas coisas em minha vida, e graças ao Seu amor, hoje eu sou feliz. Aprendamos isso todos os dias de nossas vidas. Para isso, escolhi pra todos nós uma canção que expressa o nosso dever de prosseguir:
"Vou Continuar"
(Pra. Ludmila Ferber)
Eu não vou deisitir, eu não vou parar,
Vou continuar, andando de fé em fé
Não vou retroceder
Eu vou crer, vou vencer, vou vencer
O meu deus é fiel, ele cuida de mim
Nunca vai me desamparar
Quando as lutas vierem me abater
Eu sei em que posso crer
Muitos podem pensar que chegou o meu fim
Mas meu deus é fiel, ele cuida de mim
A tristeza invadiu todo o meu coração
Mas meu deus me estendeu a mão
Mas meu deus me estendeu a mão
Mas meu deus me estendeu a mão
Em meio as lágrimas, as tribulações
A minha alma pode descansar
O meu deus nunca falhou, ele nunca falhará
Assim foi com moisés para o mar se abrir
Assim foi com davi para o gigante cair
Ajuda-me senhor, eu vou conseguir
Que Deus nos abençoe! A Paz!
“UMA NOVA HISTÓRIA DEUS TEM PRA MIM”
(Paulo Queiroz)
O meu amor por Deus tem sido o meu guia através destas veredas infaustas do dia-a-dia. Ontem me deparei com uma situação que me pôs à prova: decidi enfrentá-la, antes que fosse envolvido num estratagema do inimigo das almas cristãs. Quase sucumbi pela falta de observação dos preceitos do meu Deus.
Meu livramento veio como que uma misericórdia impetuosa descida do céu sobre o meu espírito, mesmo no desmerecimento que me cerca. O Senhor é a minha força e o meu escudo; nele confiou o meu coração, e fui socorrido; pelo que o meu coração salta de prazer, e com o meu cântico o louvarei (Sl. 28:7).Não tenho palavras, e jamais as terei, para expressar a minha gratidão pelo meu Deus, por todas as realizações na minha vida. E, sobretudo, pelos livramentos e pelo novo tempo que Ele está promovendo no meu viver. Como maravilhosamente Fernandinho descreve: uma nova história Deus tem pra mim; e um novo tempo Deus tem pra mim.
Mais grato a Ti, Senhor meu!
“PESSOAS ABENÇOADAS”
(Paulo Queiroz)
Palavras de bênçãos só podem mesmo vir de pessoas abençoadas. Este mundo ainda não está de todo perdido, não! Há pessoas que Deus envia para acamparem no nosso coração, e quando isso acontece, temos que agarrar a benção. Temos que fazer como fez Jacó: segurar nas vestes do anjo e só o largar depois que ele nos abençoar.
Amo a minha igreja, e sou “assembleiano”, porque lá encontro a paz que o meu coração precisa para caminhar servindo. E a paz que lá encontro se estende até a minha casa, o meu trabalho, à rua, e onde quer que eu me encontre. Há igrejas que são realmente uma benção, como a minha; e nelas, há pastores que existem para ungir e ganhar almas para o Senhor Jesus, e fazem isso única e exclusivamente por amor incondicional à obra de Deus.
Ontem foi o “Dia do Pastor”, por isso, quero falar hoje de alguém muito especial. Alguém que não crer que a distância seja empecilho para a o estabelecimento do amor cristão: Pastor Sergio Martins, do Ministério Apostólico Atos, em Tatuí, SP, cuja esposa, Pastora Silvana, é também igualmente ungida. Esse servo de Deus me ligou ontem, oportunidade em que conversamos longamente. O Pastor Sergio Martins orou comigo e me falou das promessas que Deus tem pra minha vida.
Quero que meus amigos e irmãos do “Palavra da Terra” conheçam esse ministério mais do que abençoado: Ministério Apostólico Atos. Visite o site: www.www.ministerioapostolicoatos.com.br, e veja as coisas que Deus tem pra nós. Fale com o Pastor Martins e com a Pastora Silvana: prsergiomartins@ministerioapostolicoatos.com.br, e sinta a presença de Deus no seu dia.
Em breve quero conhecer esse ministério. Que Deus os abençoe, Pastores Sergio e Silvana Martins. E que a sua obra seja cada vez mais edificante na vida de suas ovelhas. A Igreja Evangélica Assembléia de Deus os saúda com a doce Paz do Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Obrigado por tudo!
"LONGA VIDA AO PALAVRA DA TERRA"
(Paulo Queiroz)
Estou feliz hoje. Este bloguinho está completando 5 anos de existência, e desde a sua criação, a partir da idéia e sugestão de uma pessoa muito especial e inesquecível, abriga as missivas e os devaneios deste “poeta abandonado”, que tantas e tantas vezes entranhou aqui seus sentimentos e os episódios mais relevantes da sua vida pessoal.
Uma coisa me chama atenção nesse contexto: em 5 anos, o “Palavra da Terra” somará, nas próximas horas, 100.000 acessos! Caramba! É isso mesmo! CEM MIL visitas, hehehe... O interessante é perceber que são muitas visitas sem muitos comentários. Alguns poucos timidamente comentam algo, outros comentam sob a forma de crítica (até severa), mas isso é a liberdade que individual que cada um possui. Não sei o porquê de tal “fenomenologia” de tão poucos comentários, mas, seja como for, o que importa é que os meus amigos e leitores vêm e “espiam” as “epístolas do Queiroz”. Que bom!
Que a longevidade deste humilde e pudico espaço cibernético se prolongue ainda por muitos anos, porque o que sentimos nunca terá fim, e aqui é o lugar onde despejamos o nosso amor. Longa vida ao “Palavra da Terra”!, que, doravante, acolherá a Palavra de Deus e estará a serviço do Senhor Jesus, em obediência incondicional aos seus preceitos.
Que meus irmãos e amigos continuem acessando este bloguinho que eu amo tanto. Serão sempre bem-vindos e amados. A paz!
"A IGREJA QUE CHORA DE BARRIGA-CHEIA"
(Paulo Queiroz)
Culto muito lindo o de ontem; muito abençoado -- como de costume. Ponto culminante se deu com momentos muito emocionantes e de grande comoção, devido ao estado de flagelação das vítimas das enchentes no Amazonas. Como se tratava de um Culto de Missões, por determinação do pastor, foi apresentado um vídeo longo contendo as cenas mais aterradoras das enchentes que assolam os nossos irmãos ribeirinhos onde há congregações, nos mais longínquos rincões que se pode imaginar. Só sendo mesmo um sujeito "predestinado" a missões para suportar tanto sofrimento. As imagens mostravam exatamente o contrário do que vemos diariamente aqui: o nosso sofrimento diário é nada na frente daquela situação.
A narrativa do vídeo demonstrava os perigos enfrentados naquelas regiões (próximo de Irandura), onde as pessoas convivem com as cobras nadando, escorpiões e outros bichos. Parece mentira: um homem, na tentativa de salvar um de seus filhos que era enroscado por uma "pequena sucuri" (como narrou o caboclo), acabou tendo que golpeá-la com o terçado. Teria matado a serpente, se não tivesse errado o golpe e acertado o próprio filho, que morreu dilacerado pelo facão.
Imaginem quantas provações. Mas o pior mesmo é a fome. Essa daí é realmente a maior dificuldade experimentada. E nós, cristãos que dormimos todas as noites no ar-condicionado, que andamos de carro, que comemos muito melhor do que aqueles caboclos, murmuramos todo-santo-dia, chorando de barriga cheia. Um cabôco que não tem fé alguma perguntaria: e Deus, onde está nessas horas? Se manque, mano! Deus sabe o que faz! Ele permite tudo, inclusive que os seus enfrentem o pior. Tudo para honra e glória do Seu nome. Deus é Deus. Nós, somos apenas nós: uma Igreja chorando de barriga cheia.
Muita fé, é do que precisamos. E cada vez mais de Deus necessitamos. Já é tempo de mudarmos!
Graça e paz!
"POUCAS PALAVRAS"
(Paulo Queiroz)
Um dia eu quis te dar uma palavra. Você se lembra?
Achei pouco... Uma palavra apenas não cabia em ti.
Mesmo assim eu elegi, inicialmente, um pronome.
Depois eu quis te oferecer uma noite de amor inteira.
Naquela hora eu senti que tu eras muito maior que eu...
Tu, porém, disseste que não; que tu eras menor que eu.
Tu és uma mulher apenas? Não! Tu és uma criança...
Uma menina que, além der ser maior que eu, é tudo.
Ali eu notei que havia coisa melhor pra te oferecer.
Uma palavra não é coisa alguma diante de um presente.
Um presente, todavia, pode ser uma coisa qualquer.
Eu quis então te dar outra palavra, para juntar àquela...
Uma outra que dissesse mais a ti. Que falasse mais...
Entre tantas, escolhi a menor. Escolhi outro pronome.
Um que te unisse ao sentimento que aqui carrego.
Refletindo, percebi que uma outra palavra era preciso.
Nem a procurei, pois ela me achou; era um verbo.
Depois então escolhi o teu próprio nome... Lindo...
Nome que dito ao vento cria um eco interminável.
Desconfiei que poderia te dar mais palavras ainda.
Poucas palavras eu te dei... Eram tão poucas palavras...
Eu sei... Mas muitas outras palavras a ti darei ainda.
Naquela hora te dei umas, suficientes, cabíveis, totais...
Naquele momento oportuno eu as dei totalmente a ti...
Naquele instante, daquele beijo, eu disse: te amo!
"PERDIDO NUM CÉU PINTADO"
(Neil Diamond)
Experimente: http://silvanias.multiply.com/video/item/16/16
Perdido, num céu pintado,
Onde as nuvens pairam
Aos olhos dos poetas,
Você pode encontrá-Lo
Se você puder encontrá-Lo.
Lá, numa costa distante,
Pelas asas de um sonho,
Através de uma porta aberta,
Você pode conhecê-Lo Se você puder . . .
Seja
Como a página que anseia pela palavra
Que fala de um tema que é o Eterno
E a que Deus escreverá para sua jornada.
Cante
Como uma canção em busca de uma voz que é silenciosa
E o Sol que Deus criará para seu caminho.
E dançamos, a uma voz sussurrada,
Captada pela Alma,
Assumida pelo coração
E você pode reconhecê-La
Se você puder reconhecê-La.
Enquanto a areia
Se tornaria a pedra,
Que começa a centelha
Transformada em ossos vivos.
Sagrado, Sagrado, Sanctus, Sanctus.
"VASO NOVO"
(Paulo Queiroz)
Não quero, não, ser mais colado
Quero mesmo é ser refeito
Meu desejo é ser muito melhor
Mas nunca serei perfeito
Dou a vida por outra vida
Pelo amor que carrego no peito
Anseio que Deus por mim decida
E que nada seja do meu jeito
Do mundo não quero mais nada
Mas se for de Deus eu aceito
Não deitarei mais sobre remendos
E escolho o caminho estreito
Não quero, não, ser consertado
Prefiro mesmo é ser refeito
Que meu amor seja de Deus
Porque amar é meu direito
“RESPIRAR A CULTURA”
(Paulo Queiroz)
Quando não estou trabalhando, estou descansando, e quando estou descansando, para não perder as horas “ociosas” em coisas vãs, leio de tudo. Nos últimos dias tenho me debruçado sobre as assertivas de Pinsky, que considero um grande pensador. Segundo o mestre, toda a produção material ou imaterial do gênero humano pode ser chamada de cultura. Num sentido mais estreito, podemos falar da cultura como sendo o patrimônio que a humanidade acumula a cada geração. Afeiçôo-me a este último conceito, mas respeito os demais.
Sociólogos importantes, como Octávio Ianni e José de Souza Martins, estabeleceram com clareza essa distinção ao escreverem contra uma suposta defesa da cultura popular que, na verdade, não é nem popular, nem cultura... Concordo novamente.
Sou compositor, artista plástico e poeta, do que muito me orgulho, por isso entendo que num país em que cada pessoa compra, em média, menos do que um livro por ano, é importante o esforço no sentido de incrementar a leitura. O acesso a bons filmes talvez possa retardar o processo de infantilização de adultos (comédias idiotas, desenhos elementares, personagens sem conteúdo). Visitando bons museus (pessoal ou virtualmente), as pessoas estabelecem um contato mais estreito com importante parcela do patrimônio cultural da humanidade preservado nesses espaços.
A universidade brasileira está assentada no tripé docência / pesquisa / extensão, o que pressupõe profissionais comprometidos com a investigação séria, a docência responsável e o estabelecimento de uma relação generosa com a comunidade por meio de cursos de extensão universitária.
É evidente que há excelentes intelectuais que, por características de personalidade, especificidade do campo de trabalho ou decisão pessoal, atuam apenas dentro dos muros da academia. Esses não criticam aqueles que decidiram dialogar com a sociedade, tentando tornar conhecimentos técnicos e reflexões profundas acessíveis aos não-especialistas. Sabem que, em tempo de muita informação desconexa, a ação de intelectuais desse tipo é fundamental.
Aqui no meu Amazonas os tiros são sempre disparados por escritores limitados, autores sem obra, que nem eu, pensadores sem tese, profissionais desacreditados que só garantem o seu emprego em razão da estabilidade e do corporativismo, quando não por ligações espúrias com os detentores do poder.
Aos mestres supra, minha admiração mor, e meus respeitos, porque reconheço que pensar cultura é o mesmo que respirá-la, senão, seremos sempre artistas desaculturados e fantasiados de “homens cultos”.
“MUDANÇA”
(Paulo Queiroz)
Cada dia, novo dia, este dia,
dia de hoje que se inicia nascido na esperança.
Novo tempo, a cada tempo, este tempo,
que começa neste dia, que é tempo de recomeçar...
Tempo de contar as horas que ainda virão,
e que serão melhores, a cada dia.
Sinto vida, na presença da mudança,
que vem reduzindo essa tristeza.
Já vejo as letras do poema,
e já ouço um cântico que me anima e que me embala.
Novo dia, outro dia, o meu dia,
quem diria, neste dia um futuro que eu não via.
“A LOUCURA NAS RELAÇÕES DE AMOR”
(Paulo Queiroz)
Quer descobrir um método muito eficaz, silencioso e “formidável” (vezes prazeroso) de tentar enlouquecer? Há vários, pelo que se vê nas literaturas de psiquiatria, sobretudo a forense, mas, um merece atenção especial, pelos contornos que possui e pela sua qualidade peculiar de fazer com que o indivíduo afunde num mar de loucura sem sentir. Refiro-me a um “tipo de amor”, amor problemático, no qual você se entrega sem medidas, anulando todos os óbices e empecilhos, sem observar regras ou mandamentos, por amor a alguém que você considera ser a pessoa ideal, para depois enlouquecer de decepção.
Um amor problemático pode te envolver de muitas formas, sem que você se dê conta dos riscos e das ameaças que fluem dele, e, na maioria das vezes, te leva ao buraco do qual você precisará de meses para conseguir sair (se sair); um buraco onde vezes você sorri, vezes chora, e, dentro desse buraco, você cria na sua mente um padrão de oscilação que te faz conviver sem estranheza com a tristeza e com a felicidade, numa mesma ambiência passional.
Quando nos apaixonamos não costumamos ser prudentes, -- e isso até é muito natural -- contudo, os princípios mais essenciais que deixamos de observar são os que mais concorrem para que conheçamos os traços da loucura, e esses traços nascem das decepções que sentimos quando descobrimos que “caímos numa esparrela” armada pela nossa própria imaturidade e “afoiteza”, por causa de um amor que te impede de ir adiante.
As virtudes mais relevantes que ignoramos num amor, via de regra, porque já entramos num patamar avançado de apego, do qual temos extrema dificuldade de sair, são: a dedicação, a disciplina, o comprometimento, o potencial de lealdade, a organização, o cuidado, entre outros. A inexistência dstes fatores nos fazem caminhar rumo à loucura mórbida, porque, quando gostamos muito de alguém e lutamos muito para modificar as suas características que contribuem para o insucesso no amor, daí, e depois de tanta luta quase nada muda, aí não tem jeito: ou acabamos beirando a loucura ou desistimos (e neste último caso, sempre saímos fragmentados).
O melhor a fazer mesmo -- se é que isso serve de conselho -- é desistir, porque ficar jogando a sua vida fora, lutando contra um “inimigo” cuja face não se vê, é o mesmo que pedir para ficar doido, deprimido, envergonhado e prejudicado. É o mesmo que pedir para morrer.
Seja prudente, e não enlouqueça. Procure um amor que lhe dê “guarida”, e que saiba reconhecer seus erros como sendo defeitos mutáveis, e que, sem olhar apenas a “carne”, procure dar valor aos seus esforços e a sua luta pela evolução da relação, caso contrário, a única coisa que evoluirá será a sua loucura. Cuide-se! Fuja de um "amor" assim, enquanto pode!
"A ÚLTIMA CHANCE"
(Paulo Queiroz)
Hoje, agora, é a minha última chance. Reconheço que já tive várias oportunidades de viver dignamente e desperdicei todas elas, jogando no lixo a minha honra e a minha dignidade. Nem sei ao certo quantas chances eu tive. Sei que foram muitas. Agora só tenho mais uma, e depois desta não haverá outra, nunca mais. Estou farto de cometer erros sucessivos e reiterados, infringir regras, mentir, iludir e ser iludido, forjar circunstâncias e ser vitimizado por sentimentos malignos, que cravaram, ao longo da minha história, a vergonha dentro de mim.
Deus me convida -- e me estende a Sua misericordiosa mão --, mais uma vez, para viver uma vida verdadeira, limpa, reta, despojada das sujeiras comuns dos homens enlouquecidos pelos vícios. Eu aceitei, e nem posso mais hesitar, e sendo esta a minha última chance, vou lutar para mudar os rumos da minha vida. Deus me abençoe e me guarde, e, sobretudo, sare as minhas chagas que foram aprofundadas pela desilusão.
De hoje em diante não estarei mais disposto a quedas, porque nem tenho mais tempo pra isso... Porque já cometi todos os erros que um homem poderia cometer. Ando cansado e envergonhado... Ainda tenho uma chance. Quero outra vida.
"PÁGINA RASGADA"
(Paulo Queiroz)
Melhor do que virar a página é rasgá-la completamente, porque viver uma meia-vida repleta de mentiras e de meias-verdades é o mesmo que acreditar que uma hora qualquer, a qualquer momento, a coluna que sustenta a ilusão se partirá... e se partiu.
Um amor de verdade -- amor ágape --, de Deus, considera uma pessoa valiosa, preciosa, e desmonta qualquer circo do amor teatralizado, intolerante, disfarçado, ensaiado.
As coisas ruins feitas jamais serão desfeitas, e ficarão cravadas no lado escuro do nosso coração: as ofensas, as agressões mútuas (e foram tantas), a violência, os medos, as suspeições, o pavor do fracasso, o desamor... Ficarão, e o máximo que se pode fazer é (tentar) esquecê-los (tarefa intangível, no meu caso). Mas, o futuro deve incondicionalmente ser guiado por Deus. As coisas boas, por sua vez, sumirão diante do cosmo perverso de mágoas que ficam.
Sobreviver é uma questão de viver. E viver sem amarguras é uma questão de apagar da mente toda a sujeira trazida pela mentira e pelas “tocaias” montadas pelo “inimigo”. Rasgar a página pode ter sido a solução (saberei em breve), mas, minha certeza inequívoca é uma só: Deus tratará essa doença miserável que me acometeu, e que dilacera, minuto a minuto, todos os dias, as minhas chances de sobrevida. Entreguei-me definitivamente ao Senhor, e Ele há de me libertar da “maldição”. Deus restituirá a minha vontade de viver, e a minha paz, porque eu rasguei a página do fracasso.
"FLORAÇÃO"
(Fragmentos do romance amazônico "Águas Viajantes"
(em composição) - © Paulo Queiroz).
Ele a percebeu com os olhos pregados no céu (...). A face delicada estava nitidamente orvalhada pelas lágrimas que desciam em gotas de saudade antecipada... Ela parecia saber que aqueles eram momentos não mais renováveis. Sentia prazer por estar ao lado de seu caboclo amado, mas sofria pelo correr do tempo que urgia de conspiração contra eles dois.
- Por que tamanho assombramento, minha pequena? Perguntou ele.
- Hã? O que você disse, amor? Perguntou ela, distraída.
- Eu perguntei por que você está assim tão espantada olhando pro céu. O que você está vendo nele que te prende tanto assim?
- Como eu poderia não se ficar tão admirada com tamanha lindeza? O céu daqui é completamente diferente de outros lugares! É incrível! Tudo muito diferente das brenhas onde eu vivo! Justificava-se ela sem desgrudar-se da luminosidade celeste.
- Como assim, diferente? Ele é tão azul e espelhante quanto os demais, meu amor!
- Não, meu amado! Não é não! Há uma sensação mágica de que as nuvens estão prenhes em todas as suas formas. Até parecem ninfas pejadas de liquido fértil... De amor... Disse ela, chorosa e cheia de ternura, como quem quisesse ficar pro resto de seus dias aqui com ele.
- Sendo eu um caboclo, é bem difícil não se orgulhar com a sua apaixonante descrição do meu lugar. Retribui ele.
- Orgulhe-se, meu amor! Tudo aqui é muito lindo... Tudo aqui inspira eternidade, longevidade, prazer... Tudo aqui é muito parecido com você. Finalizou ela, apaixonada.
Assim narrava aquela mulher a seu namorado caboclo. Ela que veio do frio, donde o carenciamento de agasalho é indispensável para a vida, como um feixe de varas secas para alimentar o fogo que assa o jaraqui...
Ela sentia que tudo nessa terra de fogo incessante era diferente das paragens donde ela vivia. A menina encantadora e alva como a açucena espiã, fez-se sonhar futuros mais elevados naqueles momentos... Amigara-se com a selva de corpo e alma, fazendo daquele selvagem a razão de ser de sua vida. Foi tão profundamente apaixonante aquele apego do caboclo pardo e da alva menina, que o olhar capiongo da moça sorvia os acordes do vento desse norte aprazível...
Eram assobios zéfiros ao pé-do-ouvido, daqueles ventos que engoliam o resto da tarde que envolvia os dois, ao Deus-dará do amor (...). Os piscares de olhos pidões, e os suspiros interrogativos que os instigavam ao gozo punham-nos, de repente, numa relva convidativa para o reclinamento e para o pleno amor.
Ele, então, carinhosamente começou a alisar a pele delgada daquele rosto lindo de alteza, depois deitou-se sobre seu corpo macio e entorpecente, molhado de prazer e que era projetado por uma forma lavrada de corpo ainda em floração...
Mas ali, naquele ato, o corpo fascinante dela era despetalado em seu desabrochar pelas mãos inábeis de amor daquele matreiro apaixonado. Beijou-a profundamente, o caboclo, como se agradecesse a Deus por ter encontrado a fortuna (...). E do ventre satisfazente daquela mulher, em pleno apogeu da paixão, fluía a fragrância do amor puro, como o que se desprendia das árvores observadoras dali de perto...
Era o Silêncio da boca da noite, nessa terra de lonjura (...). Terra e mato, homem e mulher, testemunhavam o envolvimento do índio com aquele tesouro adormecido há muito, sua amada... Era um novo começo de mundo (...). Às vezes, pelo faro aloprado do índio, assim como o das feras, sentia-se esturro de onça, gemido de bicho faminto, e outros barulhos de selva por perto, mas caboclo que é caboclo sempre anda preparado, além de que a própria terra-mãe protege muito bem os amantes que se valem do seu manto para amar...
Até as cobrinhas peçonhentas com seu "arreto" infernal, e que o caboclo sempre varreu no terçado e no cacete, não se abestalharam à intromissão naquela oferenda de orgia sagrada amazônica... Eram somente o caboclo e sua sertaneja amada (...).
E quando ela se foi, aquele caboclo sabia que seria para sempre... Apenas uma única estrela, solitária como ele, velava a imensa tristeza do índio; e no infinito brilhava apenas a paz da natureza, mas a própria paz daquele homem não mais havia.
Seu amor partira para nunca mais voltar. Restara tão-somente um pôr-do-sol diferente... Queixoso... Um tempo mesclado ao arco-íris descolorado que prenunciava trovoadas, como o que fantasiava, naquele momento, o emurchecer agônico daquela tarde de despedida.
E para incrementar ainda mais a sua dor de amor, houve a perturbação do seu silêncio (...). Era o cântico estridente da acauã agourenta que golpeava-lhe o íntimo com a marca do desespero e da solidão (...). A saudade poluía o seu interior, mas nem firmava um pouco de esperança de um dia ele rever a sua amada. Ficou, o caboclo, pelo assobio da despedida, no insulamento da selva escura da saudade que engolia seus pensamentos felizes de horas anteriores (...).
Nunca mais ele reviu o seu amor, porém, entrega, todos os dias, sem restrições, seus pensamentos às lembranças dela... Todos os dias de sua vida, pensando em sua pequena.
“MALITATE”
(Paulo Queiroz)
Descubro todo dia que as minhas maldades não têm fim. Todo dia também acredito que há vidas que existem com o propósito exclusivo de desconhecer a felicidade, e passam a vida inteira sofrendo com a felicidade dos outros, mas sem sentir inveja disso.
Cada vez que penso dar a volta por cima e redesenhar uma nova história de vida, mergulho sem medos nos abismos da ilusão. Ao passo que cravo meus pés no lamaçal dos erros e do engano, arrasto comigo vidas: almas agregadas doentes e frágeis que se dispõem a entrar abraçadas ao meu corpo na areia movediça que me traga diariamente... Sou sempre movido pelos velhos erros, e removido pela incerteza.
Há quem diga que a maldade alheia também nos torna maus. Pois eu tornei-me mau, mas por causa de mim mesmo. Daí eu pensar que rastros de atrocidades vão sendo largados pelos caminhos por onde passo, e pelas vidas que me enlaçam, como se eu mesmo fosse um ser repugnante fugindo das minhas próprias armadilhas.
Sonhos, amores, paixões, planos e projetos inacabados, que nunca começam e que jamais têm fim... Dou-me a Deus, mas nunca sei se vou ou se fico. Às vezes escolho o sono eterno, mas ainda não tive essa sorte.
"O FUTURO JÁ PASSOU"
(Paulo Queiroz)
O calor já se esfriou, derretendo-se de dor,
num piscar de olhos tristes...
num viver de poucos meses... confusos dias.
E o futuro já passou como um raio,
desmoronando sobre os sonhos,
e destruindo as estradas de acesso ao coração.
Mãos soltas em pleno redemoinho,
apartando os caminhos e montando a solidão.
Nada é certo, como incerto é o agora.
Tudo é pranto, como o grito de ir embora.
Ir embora pra bem longe,
como se pudesse o amor matar;
como se mortos acordássemos,
descobrindo que dormir é bem melhor.
O futuro não pertence a Deus.
Ele é o próprio Deus, viajando pelos ares,
ensinando que ser só é às vezes pior,
porque supunhamos que um dia fosse ser melhor.
O futuro já está morto, assim como as idéias.
O futuro já passou, assim como a existência...
O amor sempre foi mito,
que existiu e se expirou.
Nada será agora como tivera sido antes,
porque nem o hoje haverá...
Porque o futuro já passou.
"CULPA DE NERUDA, INVEJA DE SALIERI, LASCÍVIA DE QUEIROZ"
(Paulo Queiroz)
Direto ao assunto: quero, com poucos enunciados, e de preferência com a tua concordância, ser entendido definitivamente. O bom senso não é mais capaz de exercer as aspirações, e pretendem, ao contrário, e nessa hora, dar espaço às sensações de fato, verdadeiras. A covarde voz não quer mais subtrair o tempo dos desejos deste corpo meu, pois a carne quer é a ardente rendição, e o prazer... já! Agora!.. Não consigo mais me curvar ao desperdício dos dias, nem do tempo, sendo que o meu corpo ordena a inexorável satisfação, cabal, contigo... somente contigo... quer os teus beijos temerários e os teus toques imprudentes, e quer também entremear os nossos gemidos insensatos com os sussurros plangentes que vêm do infinito da tua boca... do teu hálito. O pobre corpo quer justificar, com rigor sóbrio, a tensão que esguicha da cobiça e da nossa respiração precipitada pela tesura que irrompe dos deleites previstos. Não quero mais perder tempo, quero mesmo é fazer amor com você outra vez, imediatamente. Agora!
"NÃO TE ACHEI. TE ENCONTREI"
(Paulo Queiroz)
Jamais procure alguém. Nunca vá em busca da poesia. De modo algum busque mudar o futuro, posto que é desconhecido. Não saia por aí, ao léu, atrás de um amor... Nunca!... Nada que você buscar será encontrado. Nada é achado... Encontrarão você. Eu, por exemplo, te encontrei, e jamais te procurei. Foi como a poesia em minha vida: nos enamoramos, de cara, mas jamais nos procuramos. Assim foi com você. Eu não te achei. Nos encontramos. Tu és minha, mormente porque sempre fui teu.
"OS PEQUENOS SERES"
(Paulo Queiroz)
São como pragas estas línguas de nojo dos enganadores, cujas vozes ecoam por toda parte, infestando os tolos com a sua saliva ácida e sustentando os velhos jargões inibidores da visão dos pequenos seres... São como fome devastadora as suas juras sujas, imundas, feito a necessidade extrema que não escolhe o corpo para torturar, mas pertence sempre aos mesmos homens: os miseráveis pequenos seres, que são obrigados aos escrutínios falsos, repletos de atitudes fraudatórias.
Assim como as pestes são estes imorais, que governam mal e nada aprendem, tampouco ensinam, e mentem mais vezes por dia do que respiram diariamente... Assim também são os que professam mal: que nem um açoite no dorso da razão, e não sabem orientar, porque fingem ensinar, e os pequenos seres fingem aprender.
Feito pedra são os pães que ofertam os enganadores indignos aos carentes; são pães de solidez estúpida e de vergonha indigerível. E que nem gelo é a carne dada a alimentar os débeis; insosso é o seu sabor, feito o dissabor da gosma, tal qual ruim é o leite inútil dado aos filhos da puta-Pátria: os pequenos seres, que são muitos, mas que não lutam nunca, e que admitem eternamente o estupro social e a violência cultural impuníveis...
Têm aparência de diabos estas bombas que dilaceram os pequenos seres, criaturas alienadas... São ogivas de fogo rastejante varrendo os seus corpos. Os pequenos seres são como o cristal sob os impiedosos martelos: indissociáveis da fragilidade... São que nem as gueixas: impotentes e fragmentais sobre agulhas de marfim:
Os pequenos seres são feito o próprio povo que os insanos embalam para sonhar, para dormir, pois somente de sonhos parece viver o homem: pequeno ser... Apenas de sonhos são feitos os seus projetos quebradiços, tal qual o são os sonhos dos ícaros decadentes... E não há pão!... E nem o pão que o "coisa ruim" amassou se come por aqui, porque é feito estrume este alimento que dão aos desvalidos pequenos seres. Pobres cães são os desvalidos, pequenos seres, que são como um estorvo aos enganadores poderosos.
Lá vêm os enganadores, montados sobre os seus leviatãs que não morreram... Eles vêm determinados ao aniquilamento dos pequenos seres, que são incapazes de reação... Eles vêm periodicamente, os enganadores, com seus sofismas de engodo encantante, e que fazem dos pequenos seres criaturas imóveis e cativas da ilusão.
Um dia, porém, pela força de um messias, far-se-á dos enganadores meros restos mortais, sucumbidos pela força da vingança colérica dum deus estrangeiro, desconhecido... Um dia eles serão seres morrentes, os enganadores, sem, entretanto, terem extinguido os pequenos seres: fracos, lesos, inócuos, coitados, infelizes...
"VÊS, MARIA BONITA?"
(Paulo Queiroz)
Vês, minha querida Maria Bonita. Olhes bem. Não é tudo que o verás, não. Esta é apenas a parte que me cabe para contar-te da minha vida nesta selva de subsídios e inspiração para se viver bem. De fenômenos...
Espies a luz, minha Maria Bonita! Olha como ela abarca os meus sonhos, e vê como, embora desditoso, o panorama social ainda é mui aprisionador a este solo-santo, minha Maria Bonita. Vês? Consegues avistar o beijo d'água no céu, amor meu? Aquilo é a cópula transcendental, minha querida. É lá em riba, donde há o apego visceral da deusa nua com os holofotes de raios que vêm dos olhos do deus cobiçoso. Vês? São focos vivos feito tu, que és Maria Bonita...
Aqui, Maria minha, amada, muitos filhos não ambicionam o chão para amar, e nem deitam regularmente as raízes para alimentarem os seus... Aqui muitos são apenas ilustrados pela vã oralidade, perfeita, daquelas que tripudiam os versos e instauram o sofisma como um dogma na alma... Mas, Maria minha, vês: aqui também há muitos que não se cegam tão-só à mediocridade da multiplicação das luzes, nos Natais... Vãos... Há muitos aqui -- que nem se pode contar -- pois são como grãos de poeira cósmica, que se dão à primazia da multiplicação dos pães: verdade, apreço, altruísmo... Alimentos d'alma.
Olhai! Vês! Tu vês, Maria Bonita? É como o teu beijo à minha boca... O teu beijo, esse vento perfeito... Só meu, porém... Que como garboso mistério me transporta ao espanto daquelas aventuras vernianas. Vês, Maria do meu amor? Vês aquela palha entrelaçada? Ela é o leito que nos receberá em aconchego, em nosso bem-estar amoroso. Vês? Vês como o aspecto celestial singular fascina e faz decair o lugar-comum da poesia amazônica? Vês?
Nesta minha casa, que é tão tua, minha Maria de sonhos, sem luta louca pelo bom bocado, onde há fartura, reina a virtude que nos dará o sentimento de amor infinito, de desejos profundos... Onde os ódios represos pela decepção das provas misérrimas do antigo esplendor, dos tempos faustos de amor a Terra-livre, serão desprendidos...
Vês a cor do chão, Maria minha? Será a cor do nosso sentimento de dignidade moral, que destronará o conformismo dos homens, a descrença, a inimizade, o medo, o desamor... Será a nossa cor de espírito, minha Maria linda de amor. Vês a cor do chão, Maria minha? Vês o meu amor? Vês o largo gesto acolhedor a ti, do meu coração, minha Maria? Vês? Eu te amo!
“HINO AO DESENCANTO”
(Paulo Queiroz)
A tua mão, que apontou [naquele dia] o teu grande amor,
É a mesma mão que afagará os teus amantes no escuro.
Esta mesma mão, permanente e passageira,
E que acarinha pelas noites o teu esposo,
É a mesma que amola a espada há meses
Para rasgar a carne daquele que te guarda com amor ímpar.
A tua mão, que construiu o teu matrimônio [naquele dia],
É a mesma mão que o desfará, porque está aliada aos teus olhos...
Teus olhos de perfídia que se fecham para repousar à noite,
[Repousar ao lado de teu esposo]
E que passeiam [de dia] todos os dias noutros olhares,
Fazendo-o chorar de desencanto.
A tua voz, que chamou o teu esposo para a glória do amor eterno,
É a mesma que se calará no silêncio proibido da tua traição...
Traição maquinada por teus olhos que vagueiam a espreita,
Todos os dias.
O teu coração, prometido a teu esposo naquele “dia glorioso”,
E que outrora era repleto de outros corações,
É o mesmo coração que permanece imutável e profano...
O teu coração enodoado, que arruína o teu matrimônio.
Os teus ouvidos, acostumados ao prazer de ouvir “te amo!”,
São os mesmos ouvidos que já conseguem ouvir “adeus”...
O adeus inclemente que se chega com o desencanto...
Com o descuido.
O teu corpo, contemplado com os cuidados de teu esposo,
É o mesmo cuja carne está [hoje] eivada de lascívia.
É o mesmo corpo que estará liberto do matrimônio
Para se repartir com outros corpos.
A tua boca, encharcada de tantos beijos puros,
E que repetia em vão “eu te amo” incondicionalmente,
É a mesma boca que [aliada aos teus olhos] pranteará até o fim.
Esposo = Cristo
Esposa = Igreja
“LEIS-MORTAS E DISPOSITIVOS CANSADOS”:
EVASIVAS DA JUDICATURA MODERNA
(Paulo Queiroz)
O modus operandi da judicatura moderna -- preguiçosa como se mostra, e mais digressiva do que a de outrora -- suscita a eternidade na duração de algumas leis, donde a preocupação do legislador na “modernização” dos dispositivos é técnica e praticamente inexistente, favorecendo a sobrevivência de normas desnecessárias e sem préstimo, que, aos solavancos, vão ruminando a cristalina Justiça e a fumaça do bom direito.
Com a perenidade das denominadas “leis-mortas”, o atendimento eficaz à multiplicidade dos casos concretos que se apresentam, encontra barreiras solapadoras quando o direito se defronta com a assustadora inércia do alcance legal, porque os princípios nucleares destas “leis-mortas” impõem, através do tempo, inalterabilidade em sua sistemática, emergindo a caducidade destes dispositivos.
Nossos códigos consolidam tantas disposições prolixas, que seu conjunto consagra notórias confusões na aplicabilidade real, onde os bons dispositivos são preteridos em beneficio de regras morosas e maçantes, bem como pouco inteligíveis. Penso que já seja chegada a hora de se empregar mais prudência à judicatura moderna, abandonando-se as exaustivas normas, atacando-se de frente as transgressões com objetividade prática, ao invés de se entesourar as dezenas de milhares de artigos que irradiam de modo chato a preguiça no Ordenamento Jurídico Brasileiro.
Ao Digesto, deve-se mais esmero e atenção, sob pena do agravamento destes sintomas de desgaste perpetuado pelos volumes grosseiros da norma que em nada somam, tampouco multiplicam, muito menos fecundam os princípios basilares dos direitos. A lei é demasiado pródiga em minúcias, e suas ordenanças particularizam sobremodo a perda desnecessária de tempo, inaugurando, a cada volume normativo criado, interrogações que vêm se fundir a tantas outras que já repousam há pelo menos dezenas de anos no Digesto Nacional.
Poucos discordam, creio, mas os fatores ostensivos de agravamento da insegurança jurídica na judicatura são: a preguiça normativa pura; a inércia legal; as controvérsias inconseqüentes; a resistência brutal ao aperfeiçoamento dos dispositivos “cansados”; a reprodução meramente servil dos amontoados de termos contidos nos digressivos julgados... Enfim, a praxis por “leis-mortas”, a meu ver, demonstra a ineficiência direta da judicatura.
Invoco o celebrado brocardo fazendo uma homenagem à transformação legal tão sonhada, que romperia o casulo do legalismo: reformatio in melius: “reforma para melhor”. De contraponto, reservo-me à aceitação -- não ao conformismo -- de ver que a Judicatura se ampara no reformatio in pejus: “reforma para pior”, por imposição da vontade do legislador, sem maiores discussões.
“A MÃO DE DEUS”
(Paulo Queiroz)
Se por desventura te disserem: “tua vida, hoje, é reflexo do ontem... O que tu colhes hoje é o que plantaste antes”, cuide para que tais palavras não te dilacerem a mente. Logo que tais impropérios te romperem a alma, já afligida pela desesperança, entenda-as como sendo apenas elementos da ignorância humana. Aceite-as apenas como um sinal de que os que não te querem bem se regozijam no teu suplício. Não creias cegamente no que te dizem a respeito dos teus erros do passado, enterrado. Busques o Justo Juiz: Deus. Este é o único nesse Universo capacitado a julgá-lo.
As medidas sentenciais de Deus, além de justíssimas, são “didáticas” (por assim dizer), porque nos ensinam viver melhor e nos moldam numa forma mais apropriada à observância de seus mandamentos. Tanto que, quando sofremos, e quando experimentamos demandas que consideramos insuperáveis, a própria consciência jurídica de Deus nos afaga e nos acalma, porque Sua indulgência, embora impute pena, quebra a rigidez e impõe a lógica divina no lugar dos castigos demasiados que nossos inimigos esperam que soframos.
Deus é justo, e a Sua Justiça é suficiente para colocar os teus inimigos no cadafalso da frustração. Quanto a nós, os pecadores, depois de todo sofrimento, Ele nos entesoura e nos lapida, como diamantes crus que se tornam jóias de Deus. A amparadora caridade de Deus aborrece aqueles que torcem contra ti. Por isso, nunca atente às palavras dos teus perseguidores, tampouco contribua para o agravamento do teu estado de angústia.
Teus sintomas de padecimento e agonia serão cada vez mais severos se deres ouvidos aos teus desafetos. Espanta-os de perto de ti, invocando a misericórdia daquele que te guarda e que te prova. Aceite os objetivos de Deus, quando Ele te impõe provações, como sendo um método colimado para te transformar em um ser melhor a Seus olhos.
Toma a mão de Deus, que está sempre estendida pra ti, mas que a tua visão turvada pela fraqueza humana te impede de vê-la. Esta mão, poderosa como é, atravessa todo o firmamento jurídico do mundo de modo avassalador, porque aplica a verdadeira Justiça, que contraria a Justiça defeituosa dos homens. A trajetória da mão de Deus passa pela nossa pobre consciência como um farol, nos guiando, nos mostrando a senda, a diretriz a se seguir.
Por fim, cabe dizer que a mão de Deus não pesará sobre a tua cabeça, porque jamais será um laço eterno que te prenda ao sofrimento sem fim. Muito menos será um grilhão que te encadeie num universo de penalidades que alterem o sentido contido nas Suas palavras, que estão recheadas de promessas para ti. Promessas de salvação e de felicidade, às quais buscamos e esperamos. Toma a mão de Deus. Já!
Deus contigo!
“QUANDO O DESAMOR ACONTECER”
(Paulo Queiroz)
O teu corpo ocultará a dor que o teu rosto não conseguirá esconder, quando o desamor acontecer. E o teu sorriso inexistente deixará à mostra o lume do silêncio produzido pela ansiedade de recomeçar a cura do teu espírito. Quando o desamor acontecer, chegará um frio que congelará os teus olhos pálidos, atacados pela surdez dos assobios uivantes do teu sofrimento, e se estabelecerá no teu coração a amargura.
Quando o desamor acontecer, não haverá chaga visível, todavia, haverá moléstias terríveis, cuja intensidade se intensificará no tremor estrutural de tua alma não vicejante, que já dormirá debaixo do pensamento, onde a tua sobrevivência será parca.
Será assim quando o desamor acontecer: dia após dia, até que tu seques definitivamente, as tuas forças serão exauridas com a tristeza da noite que campeará no teu corpo inteiro, sucumbindo às madrugadas que não serão ligeiras. E quando o desamor acontecer [espere], se escurecerá a viveza rala dos teus olhos, apagando-se paulatinamente a centelha derradeira.
Quando o desamor acontecer, num post mortem desconhecido, tudo se fará estranho e intangível, e o desassossego parecerá infinito, porque mergulhar-se-ão num lago vazio e petrificado todos os sonhos que se projetaram quando tu amaste.
“MATHESIS MEGISTE”
(Paulo Queiroz)
Hoje -- só hoje -- descobri que não sou menor do que ninguém. Descobri que não sou menor que este nem inferior àquele; muito menos serei maior do que qualquer. Sou como todos os outros: vou aprendendo. Aprendendo, por exemplo, a curtir novos desafios na minha vida profissional de forma corajosa. Já na vida pessoal realmente sou uma bela porcaria. Claro! Nem poderia ser diferente: sou imperfeito... Jamais serei estúpido a ponto de almejar a perfeição, mas, como todo cabra teimoso, sempre busco o possível.
De estudar sempre gostei, sem frescura. Isso eu poderei sempre fazer, quando desejar. Ainda não soube ao certo o que eu quis ser na vida, muito menos sei o que sou hoje, mas, sempre acho que quero ser tudo, como sonhador que sempre fui. Ontem eu quis ser um homem lutador, depois quis ser pai; fui namorado... marido... fui amante... Eu, quando criança, quis ser sacerdote, e sempre quis ser poeta, escritor, artista plástico, músico, professor... Eu sempre quis ser amigo, companheiro, fiel, humano, solidário, religioso... Eu fui tantas coisas e outras tantas eu jamais fui capaz de ser, e muitas eu ainda serei, aprouve a Deus...
Como ser, pensante, vivente, comunicável, sou social, pertencente ao mundo. Trabalho, brinco, me divirto, me apaixono, amo, sonho... Como vivo todas estas coisas, e muitos desafios, sou um ser influenciável, como todo mundo que admite ser. Sou influenciável, sobretudo, pelo amor. Quando amo, me entrego, vivo plenamente... Com o meu amor gosto de aprender, de ser feliz, de sentir prazer. Do meu amor eu extraio tudo que posso; tudo o que me é possível hoje. Como amei muito, me entreguei e convivi, Deus me presenteou com lembranças maravilhosas, e com uma lição: você tem o dever de ser quem você quiser.
A você, querida, meus mais afetuosos agradecimentos pela certeza em mim de que sonhar é muito bom. A você, meus mais sinceros agradecimentos pela confiança, pela forma racional como pôs dentro do meu coração a autoconfiança. Agradeço pelo apoio incessante ao meu futuro, sempre... Em tudo o que eu sempre quis fazer. Obrigado por ter sido você, sempre... especial... Por ter me feito acreditar em mim mesmo. Que Deus me ajude neste novo caminho.
"SAUDADE E FLORAÇÃO"
(do romance amazônico "Águas Viajantes")
(Paulo Queiroz)
Eu a percebi com os olhos pregados no céu (...). A face delicada estava nitidamente orvalhada pelas lágrimas que desciam em gotas de saudade antecipada... Parecia saber que aqueles eram momentos não mais renováveis. Sentia prazer por estar ali ao meu lado, mas sofria pelo correr do tempo que urgia de conspiração contra nós dois.
- Por que tamanho assombramento, minha pequena? Perguntei.
- Hã? O que você disse, amor? Falou ela, distraída.
- Eu perguntei por que você está tão espaventada assim, olhando pro céu?! O que você está vendo nele que te prende tanto assim?
- Ah! Claro! Como poderia não se ficar tão admirada com tamanha lindeza? O céu daqui é completamente diferente de outros lugares! É incrível! Tudo muito diferente das brenhas onde eu vivo! Justificava-se ela sem desgrudar-se da luminosidade celeste.
- Como assim, diferente? É tão azul e espelhante quanto os demais, meu amor! Retruquei.
- Não, meu amado! Não é, não! Bom, se eu fosse mesmo explicar como deveria, eu teria que fazer uma infinidade anotações aqui, mas penso que há uma sensação mágica de que as nuvens estão prenhes em todas as suas formas. Até parecem ninfas pejadas de liquido fértil... De amor... Disse ela, chorosa e cheia de ternura, como quem quisesse ficar pro resto de seus dias aqui comigo.
- Puxa! Sendo eu um caboclo, é bem difícil não se orgulhar com a sua apaixonante descrição do meu lugar. Retribuí.
- Orgulhe-se, meu amor! Tudo aqui é muito lindo... Tudo aqui inspira eternidade, longevidade, prazer... Tudo aqui é muito parecido com você. Finalizou ela, apaixonada.
Dessa forma narrava aquela mulher a este caboclo. Ela que veio do frio, donde o carenciamento de agasalho é indispensável para a vida, como um feixe de varas secas para alimentar o fogo que assa o jaraqui... Sentia que tudo nessa terra de fogo incessante era diferente das paragens donde ela vivia. A menina encantadora e alva como a açucena espiã, fez-se sonhar futuros mais elevados naqueles momentos... Amigara-se com a selva de corpo e alma, fazendo de mim, smples selvagem, a razão de ser de sua vida. Foi tão profundamente apaixonante aquele meu enlace de caboclo pardo e da alva menina, que o olhar capiongo da moça sorvia os acordes do vento desse norte aprazível. Eram assobios zéfiros ao pé-do-ouvido, daqueles ventos que engoliam o resto da tarde que nos envolvia, ao Deus-dará do amor (...). Os piscares de olhos pidões, e os suspiros interrogativos que nos instigavam ao gozo punham-nos, de repente, numa relva convidativa para o reclinamento e para o pleno amor. Eu, então, carinhosamente comecei a alisar a pele delgada daquele rosto lindo de alteza, depois deitei-me sobre seu corpo macio e entorpecente, molhado de prazer e que era projetado por uma forma lavrada de corpo ainda em floração... Mas ali aquele corpo fascinante era despetalado em seu desabrochar pelas mãos inábeis de amor deste matreiro apaixonado.
Beijei-a profundamente, como se agradecesse a Deus por ter encontrado a fortuna (...). E do ventre satisfazente daquela mulher, em pleno apogeu da paixão, fluía a fragrância do amor puro, como o que se desprendia das árvores observadoras dali de perto... Era o Silêncio da boca da noite, nessa terra de lonjura (...). Terra e mato, homem e mulher, testemunhavam o envolvimento do índio com aquele tesouro adormecido há muito, a minha amada... Era um novo começo de mundo (...). Às vezes, pelo faro aloprado do índio, assim como o das feras, sentia-se esturro de onça, gemido de bicho faminto, e outros barulhos de selva por perto, mas caboclo que é caboclo sempre anda preparado, além de que a própria terra-mãe protege muito bem os amantes que se valem do seu manto para amar... Até as cobrinhas peçonhentas com seu "arreto" infernal, e que o caboclo sempre varreu no terçado e no cacete, não se abestalharam à intromissão naquela oferenda de orgia sagrada amazônica... Eram somente eu e a minha sertaneja amada (...). E quando ela se foi, eu sabia que seria para sempre... Apenas uma única estrela, solitária como eu, velava a imensa tristeza deste índio; e no infinito brilhava apenas a paz da natureza, mas a própria paz minha não mais havia. Meu amor partira para nunca mais voltar. Restara tão-somente um pôr-do-sol diferente... Queixoso... Um tempo mesclado ao arco-íris descolorado que prenunciava trovoadas, como o que fantasiava, naquele momento, o emurchecer agônico daquela tarde de despedida. E para incrementar ainda mais a sua dor de amor, houve a perturbação do meu silêncio (...). Era o cântico estridente da acauã agourenta que golpeava-me o íntimo com a marca do desespero e da solidão (...). A saudade poluía o meu interior, mas nem firmava um pouco de esperança de um dia ele rever a minha amada. Fiquei, pelo assobio da despedida, no insulamento da selva escura da saudade que engolia meus pensamentos felizes de horas anteriores (...). Nunca mais revi o meu amor, porém, entrego, todos os dias, sem restrições, meus pensamentos às lembranças dela... Todos os dias de minha vida.
“O RESTO DE NOSSAS VIDAS”
(Paulo Queiroz)
Quem lê os meus escritos há algum tempo é sabedor de que sou inimigo em altíssimo grau dos livros de auto-ajuda. Odeio literaturas que comparam pessoas a águias, leões, linces e outros bichos que não têm nada a ver com o nosso comportamento social. Sou contra os livros de auto-ajuda porque eles têm um sentido muito apelativo que, em regra, é ilusório. A pretensão da maioria dos “magos” da auto-ajuda é de fazer entender que a vida é simples de ser vivida e que tudo, tudo mesmo, só depende de cada um de nós. Que nós é que complicamos tudo. Tipo assim: “você será o que quiser ser”... Uma porra que é assim! Nem vou perder meu tempo escrevendo sobre as controvérsias que derrubam essas filosofias ridículas, porque o meu objetivo aqui é falar sobre “o resto da vida”.
Há os que morrem defendendo a tese do “longo prazo”. Isto é, a tese de que os sonhos devem ser realizados obrigatoriamente antes da morte, plantando-se uma árvore, fazendo-se um filho e escrevendo-se um livro. Para mim, trata-se de uma “doutrina” escrota que nos admoesta a plantar hoje para colher no futuro. Coisas do tipo: “seja feliz e vença na vida, sofrendo hoje para ser próspero amanhã”... Coisa mais besta, mano! O negócio é plantar hoje para colher imediatamente. No máximo logo depois. Nada de trabalhar com “sementes de felicidade futura e morosa”.
Os amigos que me lêem também sabem que, na condição de folclorista, sou Garantido “doente”, mas, preciso concordar com o Caprichoso: “o futuro é agora!”. É já! Não dá pra ser feliz mais tarde. Não dá pra gozar a vida -- em todos os sentidos -- “um dia”... Tem que ser agorinha mesmo. O sentido de “resto da vida” não significa assas babaquices que os “gurus” tentam ensinar, não! Não tem nada a ver exclusivamente com os “legados” que devemos deixar pras gerações do devir, não. O resto da vida é a partir de agora. A partir da leitura da derradeira palavra deste parágrafo, que já será passado.
Sou a favor do pensamento mais perfeito que existe sobre o resto da vida, cuja autoria eu desconheço: “viva esse instante como se fosse o último de sua vida”... Assertiva perfeita... exata... Esta frase traduz de modo imperativo o quanto se deve prestar atenção na velocidade que o tempo impõe às pessoas, que é assustadora. O tempo, por sua implacabilidade, nos engana, fazendo-nos crer que o futuro nos espera, induzindo-nos ao ledo engano de pensar que é certo que seremos felizes mais à frente.
Nada nos garante de modo eficaz que “um dia” seremos felizes, ou que adentraremos o “paraíso”, como tentam, à-toa, demonstrar as grandes mídias religiosas do apocalipse. Nem mesmo agora sabemos se seremos felizes daqui a pouco, quanto mais quando nós, os homens, estivermos caindo aos pedaços e sentando em cima dos próprios sacos; e vocês, mulheres, estiverem todas lânguidas, desmaiando ao (e se) chegarem ao único orgasmo do dia. O que nos garante os resultados da vida é viver o agora, mas sempre de modo responsável e moderado, é claro.
O resto de nossas vidas não consiste nos projetos que temos, não. O importante é conceber que os projetos de nossas vidas fazem parte sim de nossos legados, cujos benefícios não se revestirão para o nosso próprio bem, mas sim, deverão ou não, ser destinados a nossa posteridade... nossos filhos, nossos netos... Enquanto projetamos, planejamos, prospectamos, não podemos achar que isso é mais importante do que a vida de agora. Agora é vida. Vida é já.
Como este é apenas o primeiro dia do resto de nossas vidas, vamos pensar, no máximo, nas próximas horas. Vamos pensar que o resto de nossas vidas é tudo o que temos para poder aproveitar, trabalhando e plantando, para usufruir e colher agora mesmo, ou logo mais. Nada de “eu te amo, e um dia vou te provar isso”... Digamos o seguinte, pros nossos amores: eu te amo, e vou te mostrar o isso agora mesmo, porque, a partir de agora, meu amor, estamos diante do resto de nossas vidas.
“O HOMEM DO PARLAMENTO”
(Paulo Queiroz)
O Homem do Parlamento trabalha muito. Tanto mais do que afirmam os insurgentes. Trabalha além do que apregoam as línguas malignas. Seu lavoro é, vezes, terrivelmente acentuado que os seus são preteridos; deixados de lado ao sacrifício de sua ausência familiar, da espera, do anseio, da luta incessante de seu ofício, porque, se não lavorar, não permanece. Mas, para que o discurso da maldade que o estigmatiza se dissolva no meio do nada, é preciso que o Homem do Parlamento crie estruturas éticas fortes e respeitáveis, incorruptíveis, alicerçadas na honestidade e nos propósitos da conquista popular e na solidariedade.
Para ser forte, o Homem do Parlamento tem que acreditar de modo visceral em sonhos, e deve respeitar a utopia necessária à construção dos ideais. Precisa crer de fato nas transformações sociais que vêm de suas ações políticas. Tem que conceber que os seus semelhantes que choram hoje deverão sorrir amanhã, sob pena de transgressão do sentido político de seu próprio mandato.
Não deve ser homem de uma só palavra. Precisa ter duas, dês que a segunda não contrarie nocivamente a primeira, ferindo de morte a democracia. O Homem do Parlamento deve mudar de opinião, se esta afeta a bonança e o bem, e dês que voltar atrás seja frutífero para o seu povo. Não deve ser simpático só para amealhar simples sorrisos e admiração momentânea, ou para colecionar abraços efêmeros. Tem que ser austero e leal às sensações espontâneas, dando certeza aos que nele confiam.
O Homem do Parlamento deve pugnar pela liberdade do seu povo; pela supressão da submissão que carcome a alma dos alienados convertidos em estatísticas citadinas. Precisa aniquilar o assistencialismo infame, destruindo as mendicâncias oportunistas e desfazendo os vícios pecuniários que em nada modificam a vida da sociedade. É necessário que procure falar como se espiasse no profundo olhar do seu povo, sem desfaçatez e sem vociferar o lugar-comum dos sofistas.
O Homem do Parlamento nunca deve confundir ideologia partidária com retrocesso social. Tampouco deve criar estereótipos que o definam como membro de legenda ou de doutrina política arcaica e reacionária. Deve, ao contrário, fazer das bandeiras, das cores, dos sinais, estradas para o grande encontro com as causas em favor das populações, trazendo o desenvolvimento da sua gente, retribuindo à sociedade a confiança que fora ofertada a ele.
O Homem do Parlamento não deve sucumbir às críticas gratuitas, infundadas, infames. Nem precisa conceber culpa improvável, sob pena de enfraquecer ante as maledicências comuns de seus perseguidores. Tem que combater, vestindo-se de coragem e probidade, rompendo o casulo do medo peculiar aos covardes e aos indignos. Deve aniquilar as amarras amaldiçoadas do silêncio injustificado, demonstrando independência e serenidade diante das intempéries que sobrevêm das falsas acusações.
Quando no Homem do Parlamento se achar culpa, todavia, carece imprescindivelmente de humildade e equilíbrio para admitir erros -- que são atributos humanos --, e externar atitudes verdadeiras no sentido de retificar seus equívocos com vistas ao melhoramento de sua própria dignidade de dos seus semelhantes. Não deve, em sua defesa, falar ao léu, demonstrando ironia ou agressividade. Precisa se arvorar na verdade dos fatos e na franqueza elevada de seu espírito.
O Homem do Parlamento precisa admitir a poesia, a literatura, como idéias de Deus para mitigar o suplício d`alma, dando voz à mudez universal e sossego ao corpo. Deve encontrar nas canções mais sublimes as respostas capazes de assegurar soluções para um instante anuviado pelas dúvidas do seu coração. Precisa colocar a existência de Deus antes de sua própria vida, olvidando o preconceito religioso e trazendo à Tribuna a palavra da fé humana e da libertação política... Deve saber que constrói leis que não são suas, mas que guiam o seu povo...
Sabe-se que todo ser é político, mas todo ser deveria ser politizado. Ao Homem do Parlamento cabe, entre outras coisas, oferecer instrução democrática àqueles que amam sua Pátria, o seu chão. Porque o Homem do Parlamento, como ser humano que é, ama, chora, ri, se enraivece... E no conjunto de inúmeras sensações, deve elaborar projetos subordinados às leis de Deus. Deve requerer sempre a Sua proteção para que seja capaz de proteger as massas, em nome da política.
Longevidade ao Homem do Parlamento! Que o seu ânimo possa se estender pelo tempo, orientado por legados positivos, e que suas ações possam alcançar a todos indistintamente.
"CONQUISTA"
Adaptado por Paulo Queiroz
Há, certamente, um lugar exato neste Universo...
Um lugar onde poderei me expressar e me realizar pessoalmente.
Esse lugar pode ser lugar qualquer,
onde eu esteja disposto a ser, a dar e receber.
Neste Universo, há, eu sei, um tempo certo para poder brilhar...
Um tempo certo para iluminar e crescer.
Esse tempo é tempo qualquer,
em que eu esteja presente e reconhecido do que sou,
do que posso, do que tenho a fazer, por mim e por outros.
Não busco longe, o que antes não conquistei aqui.
Exploro a plenitude do momento e do espaço que
conquisto agora e me preparo para alçar vôos,
nos patamares de luz de minha consciência.
Um caminho lindo me acompanha.
Um lugar maravilhoso me aguarda,
A cada despertar... Um lugar qualquer.
“A BUNDA E O SUBMUNDO DAS AFEIÇÕES"
(Paulo Queiroz)
Todos sabem, -- e não é de hoje – mas nem todos acreditam que uma bunda bonita deixa qualquer homem doido. E as coisas que um pobre macho é capaz de enfrentar por ela são ainda mais inacreditáveis. Para a classe dos varões o desejo sexual impetuoso se principia por um simples e apetitoso olhar... Pode-se dizer que numa mirada sem desvios, e na esguelha dum olhar vadio, assenta-se a desmedida ambição do macho pelas ilhargas de uma corpulenta e "bunduda" fêmea. Parece inevitável... Uma espiada, um soslaio desproporcionado de apresentamento, entre outras impudicas manifestações da nossa ávida raça masculina, bastam para o cabra ficar arretado. Para o homem, não há nada mais delicioso do que uma mulher de anca bonita, carnuda, apetitosa, avantajada... aí é que o bicho pega! Muito comumente a contemplação masculina evidencia-se quando se avista uma fêmea aos reboléios intencionais pro rumo do sujeito; aí é difícil se conter!
Como se manter exato e firme num cenário desses? Donde caberia a resistência racional em tal ensejo? Que providência um indivíduo degenerado pela tara poderia empregar numa hora de tamanha apetência sexual? Seria mesmo possível ao homem um dia abrigar postura apropriada diante de uma bunda bem forjada? Difícil mesmo responder, não? Então... não se pode dar repúdio com hostilidade absoluta àqueles que, contrariando a moral, manifestam apetite incontrolável por um traseiro carnoso... não mesmo.
Mas uma bunda sempre será somente uma bunda, certamente. E daí, como fica o resto do conjunto? Eis onde reside o problema. O macho, "encegueirado" pela famélica vontade de sexo, não costuma empregar critérios apropriados na escolha de uma parceira. As mulheres (em regra), infinitamente mais comedidas e prudentes não se dão ao léu, sem que primeiro façam algumas "verificações" de praxe. Entre os homens, ao contrário, os princípios que mais pesam na maioria absoluta das escolhas, são apenas: bunda e beleza física (estou aberto a discordâncias).
Há os homens que advogam veementemente que o resultado feliz de um relacionamento -- no casamento, por exemplo -- se dá, sobretudo, pela beleza física... Que a felicidade plena reside na exuberância e, especialmente, na capacidade da fêmea exercer voracidade sexual indescritível na cama... Na capacidade d'ela fazê-lo gozar inúmeras vezes numa mesma ocasião copular... Segundo a linha de pensamento defendida pelos tais, o tesão produzindo pela satisfação visual recíproca traz à tona o verdadeiro amor por intermédio da afeição sexual, por este ser o primeiro de todos os afetos humanos, segundo pensam alguns. Será mesmo? Tenho muitas e nítidas dúvidas a respeito. Muita coisa acontece com muitos de nós por causa de uma bunda bonita. Sem exageros, já li sobre cabras que beiraram a insanidade por causa de gurias que possuíam bundas belíssimas. Um absurdo! Lembro-me que o sujeito deixou mulher, filhos, familiares, amigos e tudo mais para trás, apenas para poder dormir suas noites sobre uma garupa avantajada. O cara não suportava nem ouvir a voz dos amigos com medo das repreensões e dos conselhos... Estava ele cego de paixão, ou tesão.
O fato é que muitos de nós deixamos de viver dignamente por causa de uma paixão fulminante, sobretudo por causa da carne... da bunda... E às vezes isso pode ser fatídico, trágico... Que o diga o cantor Belo, por exemplo, que para não cair de padrão e não correr o risco de perder a bunda daquela mulher (e que bunda), achou conveniente vender uns quilinhos de "pó" e tornar-se um magnata do narcotráfico. Se ferrou! Passou anos no "xaxado", vendo o sol nascer retangular, e, na minha opinião, bem que ele deveria ter permanecido por lá, por duas razões óbvias: por ser traficante e por cantar umas músicas horríveis.
Penso eu que há de se refletir sobre a existência de características e valores muito mais vantajosos no conjunto de uma mulher do que apenas a sua bela bunda, ou o seu belo rosto... se há... Há de se avaliar o conjunto de uma mulher como um todo, sua personalidade, seu caráter, sua dedicação para com a vida, seus sonhos, seus desejos, etc... Beleza não é tudo, embora seja importante, e -- por assim dizer -- quase sempre seja este o fator que engendre as escolhas das pessoas.