"O TRIUNFO DE ARIMÃ E YNAIÁ"
(Paulo Queiroz)
Arimã apaixonou-se perdidamente por Ynaiá. Ele, bugre venturoso e destemido, mudou toda a sua vida em razão de tão desmedido amor. Ela, de lindeza primorosa, de boa índole e de família muitíssimo honrada, tal qual ele, entregou-se a esse amor incomum, oferecendo ao guerreiro o melhor de sua vida... Sendo inapelavelmente sua companheira pro resto de sua existência. Porém, como em todo grande amor, que o mal percorre na providência da calamidade, este também foi precedido por persecuções e inveja mórbida. Entre o amor colossal de Arimã e Ynaiá, punha-se Rottú, o ignóbil, a cobiçar a linda moça... Rottú era um inescrupuloso ser concebido pelos poderes nocivos da inveja e do desprazer. Rottú odiava mortalmente Arimã, embora nem o conhecesse... Sua aversão simplesmente fluiu quando percebeu que Ynaiá nunca mais poderia olhar para outra face masculina, dada a dimensão inimaginável do amor que sentia por Arimã. Sua fidelidade ao guerreiro seria seu norte para viver com honradez e ser muito amada. Rottú não conseguia repousar nas noites de negra imensidão que se faziam em seu íntimo ferido. O rival desolado procurava incansavelmente forjar meios de extinguir a felicidade daqueles dois seres apaixonados, que se faziam, em meio às investidas de Rottú, pele e carne, numa adesão vinculada à eternidade, o que matava paulatinamente o invejoso Rottú. O desgostoso cobiçador de Ynaiá, nunca havia amado verdadeiramente a jovem índia; sequer gostava de verdade dela... Rottú queria tão-só possuí-la para poder alcançar o que mais almejava nessa vida: a destruição completa do honrado Arimã, o filho de Dhomôr, o deus da luz. Uma vez que Rottú entendia que Arimã jamais viveria sem Ynaiá, ponderou que atentando contra aquele amor absoluto, aniquilaria o guerreiro... Rottú sabia que se um homem tivesse o seu amor extorquido de seu coração, impiedosamente, escolheria a morte a permanecer vivo amargando os infortúnios da solidão. Rottú sabia que quando um homem de verdade possuía um único amor, doava-se integralmente em favor dele... Quando um homem ama apenas a uma mulher, cega-se a ele mesmo para que jamais contemple outra face de fêmea... Quando um guerreiro idolatra um único amor, nunca mais se dá a prazeres gratuitos e efêmeros, e assim era Arimã... Rottú sabia de tudo isso, o que o feria intensamente, todos os dias... O vil e desprezível Rottú jamais possuiu os apanágios de Arimã, que nasceu com a virtude natural de amar e ser amado... Rottú pedia aos deuses todos os dias que pudesse possuir os dons de Arimã, para assim obter seu objeto de luta, Ynaiá... Rottú não entendia o porquê de somente Arimã possuir prerrogativas tão assustadoramente especiais: o respeito, a entrega plena, o zelo pelo seu amor, a proteção, a fidelidade, a abnegação, a honra, a alegria de ser amado, a confiança no divino, a esperança, a coragem, o destemor... Assim era Arimã, o filho de Dhomôr, o deus da luz... Arimã era um ser repleto de encantamento... Arimã tinha sido escolhido, entre muitos, para oferecer à mulher amada o melhor de suas glórias e lutas... A mulher que o amasse seria a mais feliz do Universo enigmático e que encerra mistérios... Rottú incessantemente se aproximava de Ynaiá, com mentiras e desfaçatez impressionantes... Propunha sempre a Ynaiá que rompesse com o seu grande amor, persuadindo-a sobre o guerreiro Arimã ser inferior a ele... Pregava que Arimã era nocivo à vida daquela linda mulher... Conspirava Rottú... Atraiçoava Rottú, todavia, quanto mais punha nódoas de mácula no caráter de Arimã, tanto mais Ynaiá o amava perdidamente... O amava tão intensamente que rompeu com o mundo por causa desse amor, que ela entendia ser singular. Ynaiá disse a Rottú que Arimã era a parte da sua vida que faltava chegar. Dizia com emoção que Arimã compunha parte vital de seu corpo lindo de fêmea amada... Dizia veementemente que sua existência se devia ao amor que sentia por Arimã, e que sem ele morreria de tristeza e de desgosto. Rottú, arrebatado pela desesperança, admitiu ruinosamente a derrota de sua iniqüidade... Muito pouco foi necessário para que Rottú, o anjo da maldade e do desgosto, concebesse que jamais teria poder para arruinar aquele amor intenso entre Arimã e Ynaiá. Bastaram apenas algumas doces palavras vindas do coração da índia, e algumas lágrimas de emoção que se resvalavam de seus olhos apaixonados, para que o usurpador sentisse em seu espírito moribundo o extermínio de suas maldosas intenções... E de tanto desgosto, sucumbiu mortalmente Rottú... Perenizaram-se Arimã e Ynaiá, caminhando triunfantes e entrelaçados, porém, em comiseração e dó pela sofreguidão do injusto Rottú... Arimã e Ynaiá são o maior referencial de amor que Tupã, o Senhor do Universo, deixou como herança para a humanidade... Imenso era o amor de Arimã e Ynaiá, que destruiu a crueza de Rottú, o anjo do desgosto.
"TAMBOR DE BOI"
(Paulo Queiroz)
Tambor de boi é o sentimento mais nobre e afável do bicho-do-mato-caboclo, cárcere do cio que emana da terra quente de amor... Tambor de boi é o ensurdecimento que surge do amor pelo folclore, e que nasce dos estampidos sinfônicos da música dos povos da floresta... É o som inebriante da cantiga mais linda do eflúvio de Parintins, a Ilha da Criação... Tambor de boi é a raça intrépida da força vermelha e a veemência da gente de alma-azul... Unidas... É o apetite de querer ser vencedor nas liças históricas de todos os anos, com probidade. Tambor de boi é o amor pela terra mais rica do mundo, a matrona senhora amazônica de eternidade... É sentir no coração a luz resplendorosa que pinga da estrela vivaz em forma de humor aquoso... É salvar do mal a Terra-Verde e a cultura que corre nas veias feito rio-vivo de imortalidade. Tambor de boi é o desmanche das lágrimas de emoção que surge somente quando se está defronte à magia indescritível do Festival... Tambor de boi é ecologia, é meio-ambiente e vida amazônica... É não acusar a floresta como se nela houvesse culpa pela loucura humana, e como se ela não tivesse vida e voz para defender-se... É despertar os filhos dessa terra, desse sono profundo que cega e deixa que o mal aconteça indiscriminadamente sobre o manto-verde sacramentado... Tambor de boi é sonhar em Parintins em três noites mal dormidas de amor e fantasia... É se deixar levar pela euforia que mantêm a vida acordada noites afora... Tambor de boi é se entregar à farra fascinante da paixão e da emoção de contemplar os grandes e inesquecíveis rituais... É ver as mulheres mais lindas do planeta em ajuntação numa só ilha... É cantar as sonatas apaixonantes que têm a cor do sangue escarlate da bravura... É respirar o ar puro que vem da selva azul-esverdeada... Tambor de boi é caprichar plenamente no amor, dando vida à mulher-amada nas noites mais apaixonantes... É garantir à eterna namorada dias de muita alegria e companheirismo, na ilha do amor imenso... Tambor de boi é esse universo de imensidão que flui no suor escorrente... É sentir os filetes de prazer despencarem do corpo feliz e satisfeito de tudo... É dançar, é ritualizar, é ser lendário e aderir à mística do verde imenso e infinito do arcano amazônico... Tambor de boi é tudo! É o grito de todo o Mundo concomitante... É a beleza encantadora da criatividade do caboclo do Amazonas... Tudo isso é tambor de boi! Mas tambor de boi também é a musicalidade peculiar do índio, do selvático... É a felicidade do ribeirinho diante da fartura interminável lançada aos braços rijos de quem luta pela vida... Tudo é tambor de boi! Até a tristeza de perder com coragem e deferência é tambor de boi... Mas tambor de boi mesmo é o maior espetáculo do Mundo! É a vitória buscada com muito fervor e luta incessantes ao longo do ano inteiro... É gritar aos ventos que ser amazônida é tudo de bom na vida! Enfim... Tambor de boi é inalar a essência da folha-virgem e da planta nova... É comer o fruto fecundo e substanciado pelos milagres donativos da Mãe-Terra-Mulher... É nutrir-se do alimento da paixão que Deus plantou em Parintins e na Amazônia... É entregar-se aos devaneios e fantasias que nascem com a espera pela chegada da mulher-amor... É sentir a presença latente, porém manifestante, da mulher mais amada da vida toda... É possuí-la com o mais elevado desejo de permuta intensa de carinhos e de respeito... É esperar ansiosamente por ela... Tambor de boi é amar plenamente em meio à alegria de viver intensamente... Isso é tambor de boi!
"DOIS RIOS"
(Paulo Queiroz)
Fomos dois rios vivos embocados
Que corriam de amor apressados
Fomos dois rios vivos apaixonados
Que numa só foz eram deitados
Fomos dois rios sofrentes separados
Que tiveram seus cursos desviados
Fomos dois rios dormentes ameaçados
Que tiveram seu leito dilacerado
Somos dois rios doentes infeccionados
Que tiveram seus corpos mutilados
Somos dois rios morrentes apartados
Que tiveram seus braços desatados
Somos dois rios mortos enlutados
Que choraram seus prantos isolados
Somos dois rios moribundos segregados
Que tiveram os olhos d'água dissecados
"SENTIMENTO DE BICHO-DO-MATO"
(Paulo Queiroz)
Jornal O Estado do Amazonas.
Manaus, domingo, 16 de maio de 2004.
Revista Tudo de Bom - Coluna Palavras da Floresta
Um dia, rasgando o tempo e engolindo léguas sem estancar o passo, chegou na vida do caboclo essa tal de paixão; num perfeito alastramento de fenômenos mentais endoidecidos, desses que deixam qualquer tapuio até o tucupi de esperanças. A "coisa" veio vorazmente largando pelo caminho a leseira-baré na carne do bicho-do-mato, que sempre a recebia na boa, embora meio cabreiro, mas sem oferecer muita resistência à danada. Qualquer que fosse o sujeito, por mais metido a besta que pudesse este parecer, se lascava nas mãos dessa dita cuja, a paixão. Primeiro a "mardita" se alojava no couro do caboclo, como se fosse uma tatuagem irremovível; depois, como sabendo que poderia se dar mal com ele em qualquer pisada de bola, a filha duma égua se mandava pra dentro do quengo do indivíduo. De lá não saía mais nem a pau, antes que fizesse da vida dele uma verdadeira zona. Porém antes, ainda, a miserável, como prima e inaugural atitude, transpassava o coração do homem como se fosse um ladrão invasor... Uma onça-pintada morta de brocada... Uma covarde surucucu-pico-de-jaca. A paixão entrava arregaçando tudo como se fosse um parasita traiçoeiro... Não respeitava nem os desejos do corpo da pessoa... Fincava-se na carne como um anzol acidental que entra vil e silencioso, num curso rápido, e não sai de jeito nenhum, devido às suas poderosas retenções. É preciso intervenção cirúrgica para a sarja desse instrumento agudo. Só que esse portentoso "leviatã", de sensações prodigiosas e arrebatadas, a paixão, teve, ao longo do tempo, que tomar muito cuidado com o bicho-do-mato, o caboclo. Às vezes, hoje, quem se lasca é ela. Aqui pelas bandas da floresta, a vida para ser bem vivida exige coragem e desprendimento, sobretudo do caboclo, que, perambulando pelos confins da mata todos os dias de sua vida esfolando a sua alma na tentativa da sobrevivência digna, não tem tempo a perder... O bicho-do-mato selvático não tá nem aí pra paixão ou coisa do gênero, graças à sua docilidade e inocência congênitas, misturadas com a sua esperteza e boçalidade de macaco-de-cheiro e guariba. Paixão quando chega na cara suada de caboclo, tem parcas possibilidades de amofiná-lo, embora deixe por um certo tempo rastros de atrocidades que causam dó. Mas bicho-do-mato tem o gênio arreliado e desconfia de tudo, especialmente de algumas paixões estranhas, dessas que chegam de fora como quem não quer nada... Dessas que para ele parecem visagens, e visagem arengosa por aqui é no cacete! Caboclo matreiro geralmente tem o coração solapado por decepções, quando se trata de amor, daí a sua cisma com essas coisas do coração. Não tem alarido que dê jeito. Hoje em dia o caboclo gosta mesmo é de ser "pegador"... Então, bicho-do-mato gosta mesmo é de "pegar", como uma certa herança do modismo. Nada de "enrolação" ou "ajuntamento" que geralmente vêm acompanhados de "buchadas" anuais. Hoje o troço mudou de feição. Quando as cabrochas se aprochegam de fogo aceso pro rumo do bicho-do-mato, não existe varão que resista à sua afoiteza de jararaca e ao cheiro peculiar da mulher da floresta, ainda mais quanto estas são do tipo arretadas e cheias deboches; dessas gaiatas que adoram arrostar o macho e medir a pavulagem do bicho. E quando ele mira as partes protuberantes das moçoilas, trinca logo os dentes imaginando enxerimento. Aí o negócio pega! Caboclo não pode espiar um buraco cabeludo que quer logo ir enfiando o moirão. Êita! Matreiro adora um apresentamento! Mas as coisas mudaram muito no sentimento do bicho-do-mato. Hoje o sujeito veste a "ferramenta" pra não se lascar depois. Antes, depois de levar muita porrada nas ventas, o matreiro se entregava absolutamente aos desmandos da paixão; hoje é diferente. A dor ensina a gemer, e o caboclo já gemeu muito ante os aniquilamentos desse sentimento feroz e ante o duelo entre a dúvida e a certeza das escolhas. Caboclo não é mais besta, não! Hoje o bicho se mostra mais criterioso até no assanhamento. Antes as paixões chegavam em nuvens, feito carapanãs famintas, ferrando sem dó nem piedade, como se fizessem transfusão de sangue sem o consentimento do sujeito, e não tinha jeito que desse pra se livras das medonhas. Parecia instigação do demônio... O bicho-do-mato sofria, mas sofria... As lorotas da paixão, largadas com segundas intenções na consciência do caboclo, e que propunham desatinos terríveis, aboletando-se nas suas entranhas como fenômenos que fugiam do seu arcaico entendimento, hoje são velhas e triviais conhecidas. Aqueles ruídos de correnteza disfarçados de amor, como se fossem melodias divinas que faziam o macho ficar com os olhos pregados no infinito da leseira, não mergulham mais no silêncio do matreiro; são, hoje, questionadas de forma mais "sistemática", por assim dizer. Há de se reconhecer: e não é que mesmo o bicho-do-mato se escanchando todo de loucura diante duma mulher foguenta, ainda assim consegue ter juízo??!! Ou ainda não?
"MANAUS: QUASE TUDO DO TODO"
(Paulo Queiroz)
Jornal O Estado do Amazonas.
Manaus, domingo, 06 de junho de 2004.
Revista Tudo de Bom - Coluna Palavras da Floresta
Observe, e note: Manaus tem de tudo um pouco... Um pouco de tudo. Não tem tudo, por muito pouco... Tem quase tudo do todo. Aqui tem povo, pessoa, "véio" assanhado e coroa, e tem muita gente boa. Tem asfalto, comida, queixada, fartura, remo, água e canoa. Tem galope, vaia, flauteio, gazeteiro, estudante e trote. Tem rio, riacho, tem macho, garota, furos, braços e bote. Olhe inda, e note: pro rumo de cá tem quadrilha, feijão, ciranda, caldo de peixe e carão. Garantido, barqueiro, bicheiro, xote, forró, pirão, piranha e baião. Tem gambá, boi-bumbá, catirina, toada, Caprichoso e garrote. Também tem morena, mulata assanhada, arretada e decote. Espie, e note: temos, Deus, Mãe-de-Deus, padre, beata, boato e pastor, Santinhos, igrejas, Bíblias, culto, imagem, milagre e valor. Filho bom, preguiça, fé, leite, café, garapa e água de pote. Temos novena da boa, feira, pastel, céu e amuleto da sorte. Passe o pano, e note: em Manaus tem chuva, pau-d'água, fuxico, fofoca e cantor. Tem faculdade, livro, caderno, carnê, lapiseira, remédio e doutor. Tem mandinga, hospital, cabaré, escola, trabalho, botequim e calote. Tem cabra gaiato, tem gato-e-sapato, brega noitada e fricote. É uma parada, note: Manaus tem táxi, ônibus, tora, motóra e pau de escora; boêmio, bebum, pé-de-cana, sacana e biriteiro noite afora. Tem pinto, mucura, galeto na brasa, peru, frango e frangote. Paquera, abraço, namoro, cangaço, chupada e beijo no cangote. É a maior farra, note: Tem tucumã, pupunha, cunhantã, samba, pagode e sarau. Mela-coxa, arrasta-pé, carimbó, gafieira e até tango e lual. Em Manaus tem tapioca, sardinha, paçoca, sinuca e capote. Tem virgem, gorducha, magrinha, e mulher de todo porte. Tem de tudo, note: Aqui tem morro, espôrro, colina, Vivaldão, acidente e socorro. Tem caça, tem raça, peixe nos rios de graça, e de fome eu não morro. Tem vídeo-cassete, DVD, televisão, videokê, jet-sky e cabeçote; telefone, laptop, orelhão, celular, notebook, fusca, vectra e Eco-Esport. Tá pensando o quê? Note: Tem enfermeira, obras, betoneira, muié-buchuda, coroca e parteira. Top model, modelo, dançarina, leseira-baré, balé, estilista e costureira. Tem coisa séria, besteirol, comida boa, Brasil, tomara que tu gostes! Tem doutor sem doutorado, advogado às pampas desempregado, agoniado, enrolado, mal-formado, e ainda por cima, endividado pela hora da morte. Aqui tem arco, tem flecha, pajé, cacique, cocar, chocalho e saiotes. Se passe, e note: Manaus tem muito trânsito, semáforo, carro, caminhão e multa. Tem guarda, calçada, moto, bicicleta, orquestra, maestro e batuta. Tem cigarro, charuto, pigarro, porronca, tabaco de fumo extra-forte. Emprego, desemprego, músico, trombone, violão, violino, caixinha e caixote. Arregale os "zóios", e note: Temos orgulho, mergulho, Ponta Negra, poeta e escritor. Aqui na aldeia tem Moacir Andrade, Ruth Prestes, Simão Pessoa. Tem aposentado e professor, tem artista plástico, compositor, escultor, promotor, locutor e boicote. Tem Samuel Benchimol, Mário Ypiranga, Max Carpentier, gente muito cuca do norte. Não acabou não, note: Tem Thiago de Mello, que também é Manaus, e é da terra, tem Áureo Nonato, Dori Carvalho, Aníbal, Márcio Souza e muito fagote. Tem Antonio Pereira, Nunes Filho, Chico da Silva e guri remelento que berra. Tem borboleta, caba, carrapicho, urucum, farinha, parafuso e serrote. Tem mais, note: Tem muito "escute inda", "ulha já", "mas quando já" e tracajá. Tem madrigal, carnaval, bacanal, coisa-e-tal, patife e carcará. Aqui tem "vixe", maxixe, "nem com nojo", rebojo e mangote. Tem shopping, guria, fedelho, loja, vendedor, carestia e pacote. Não se assuste, e note: Aqui tem surubim, cuiú-cuiú, bodó, pirarucu, paca, tatu, cotia, anão, Peixe-boi, periquito, papagaio, sogra, cunhado, filho, irmã e irmão. Tem mangangá, tarakuá, pirarara, arara, bambu, aranha, cobra e bote. Tem e-mail, contrabando de bicho, correio, encomenda e malote. Pense bem, e note: Tem moleca enxerida, fogosa, que bate-perna e bem cedo emprenha. Tem safado que pra não assumir, quer sumir, e no mato se embrenha. Tem surra, história, peia, palmatória, mãe "braba", cascudo e chicote. Tem choro, tristeza, mágoa, alegria, neto, e conselho de mãe: não aborte! Peraí, e note: tem pobre, tem rico, maçarico, mutum, invasão, terreno e mansão. Engraxate, flanelinha, pedinte, barão, ladrão e carrão. Tem assalariado que guarda dinheiro muito tempo pra comprar lote. Tem guerreiro, nativa, índio, onça, e bicho que quer escapar da morte. E digo mais, note: Tem cachorro pirento, tem poodle, buldogue, pitbull, sardinha e salsicha. Caçador, predador, desempregado, trabalhador, valentão e bicha. Tem também matrinxã, jaraqui, arabú, urubu, e pesca por esporte. Tem uma porrada de gozador, boçal, mulher metida a ¿não encoste¿. E mais, note: Tem cerveja, batida, uísque, limão, chifre, nostalgia e saudade. Farra, roça, troça, carroça, catraia, imigrante, amor e felicidade. Manaus tem aeroporto, porto, posto, encosto, esgoto, luz e corte. Tem Prefeito, Governador, Secretário. Tem labuta, deputado, vereador, mas também tem muito ¿coiote¿. Não se espante, note: Manaus tem Brasil, canil, marmota, circo, novela e peça. Tem TV a cabo, ¿migué¿, programa e miolo-de-pote. Se liga, e note: Manaus tem Carrossel da Saudade, caridade, caboclo e adultério. Tem Baby, encontro, domingo, cachimbo, discurso e despautério. Tem verdade, mentira, paquera, quimera, amante, esposa e consorte. Tem funerária, macumba, caxumba, cemitério, jardim, bebê e velhote. Admita, e note: tem Polícia Militar (vá roubar); tem malícia, Polícia Civil (aí já viu); tem praça, cachaça, mangueira e coqueiro.Tem greve, ultra-leve, avião, Zona Franca, sol de janeiro a janeiro. Manaus tem tribunal, matagal, pernoite, concurso, loteria: aposte! Computador, internet, impressora, tecnologia e futuro... Bote fé! Bote! E ainda, note: Manaus tem ladeira, madeira, tem praia, recreio, batelão e natureza. Tem João, tem Maria, papagaio, cerol, museu, teatro de luxo e beleza. Hotel, motel, tem calango, charango, mandango, suor e sol forte. Manaus tem muita mulher linda, cheirosa, gostosa e carente... Lembre-se, e note: a minha aldeia tem festival, arraial, catedral, bate-boca, frio e feriado. Tem Natal, Ano Novo, farofa-de-ovo, caldeirada, peixe-frito e assado. Não tem neve, mas gelo serve; whyski, chopp, futebol, vôlei e rebote. Tem flora, tem fauna, camarão, tira-gosto e muito mais... E se já foi daqui, volte!!!