"DANDRAH: A DEUSA NUA"
(Paulo Queiroz)
Altivo é o teu conceito de amar, a me perverter a tenção,
Em resquícios de designação, como que me insinuando
Um declínio mental acentuado que me condiciona à imbecilidade.
É assim que me alcunhas, depois de ternamente te ovacionar,
Minha deusa Dandrah nua de corpo em fogo...
Pego-me em asserção, em pensamentos dúbios,
A respeito do que proferir para possuir a tua docilidade,
Voluptuosa deusa minha, nua, Dandrah.
Será que devo corromper-me com ímpeto?
Ou reter-me em probidade, privado da voz em sevícia?
Não sei... Tão somente anelo por tudo que procede de ti,
E em tão servil lhaneza, e vênia de sobranceira paixão,
Condiciono-me a tudo, apetecido pelo acme agradável
Que emana de teu íntimo, Com o qual tu me ninaste,
Dandrah, mulher-deusa minha, nua...
Seria-me irrealizável descrever o desagrado d'alma
Ocasionado pela ausência de tua serena concupiscência,
Que em paradoxo me apraz, e governa meus desejos,
Ó minha Dandrah, nua deusa de loucura...
Ardo em conservar-me teu, mesmo em subalternação incontida.
Mas, pela simbiose manifestada em gozo, sou recompensado...
E pela tua afável entrega que me justifica a conduta.
Por isso não intento deixar-te, minha deusa nua.