PALAVRA DA TERRA

"O VERDADEIRO AMOR PERDOA SEMPRE, E RECOMEÇA, SEMPRE".




Sexta-feira, Agosto 26, 2005




"BRASIS QUE DISTAM"
(Paulo Queiroz)



Quase tudo o que se conhece na vida tem dois lados, ou duas faces. Todo poder possui duas vertentes, ou mais. Toda história é norteada por duas versões; e muitas sociedades humanas têm duas realidades distintas que se fundem num só anseio: o de sobreviver dignamente numa atualidade minada pela selvageria globalista, mas que é de investimentos medíocres. O Brasil é uma dessas nações cujo povo está inserido em uma atualidade contextual dualista, onde o engodo convive na boa, por assim dizer, com uma tal de esperança que venceu um certo medo, mas que, numa revanche insólita foi derrotada por ele, o medo. O Brasil, agora, neste instante, experimenta uma realidade mórbida, que quando não confunde alguns atormenta a todos.
O nosso povo herdou de nossos antepassados um gosto político duvidoso, e hoje aperfeiçoa essa anomalia através dos nossos representantes contemporâneos. O Brasil atualmente é um universo dúbio onde não se pode radicalmente afirmar que há tão-somente a incapacidade de desenvolvimento, mas sim, que há uma propensão à formidável capacidade de alimentar um atraso perene, que alicerça as intenções progressistas de uma nação que merece sim estar entre os grandes, mas que, todavia, tem seus sonhos aniquilados pelo separatismo econômico que segrega brancos de brancos, pretos de pretos e uns aos outros, e assim por diante, razão pela qual o racismo exacerbado de outrora, embora ainda latente, nem é mais a moda vigente, mas deu vez a um novo modismo: o preconceito econômico.
Uma realidade que caracteriza a dualidade aqui tratada pode ser facilmente demonstrada pelos universos privados cada vez mais fechados, que se estabelecem em forma "anel de isolamente social", cuja perspectiva destaca, por trás, uma outra realidade fatídica e marcante, dos muitos que ora aparam as sobras que caem da opulência e da riqueza dos poucos, ou ora requerem, muitas vezes a peso de fogo, uma fatia desse resultado injusto, dando origem a uma moléstia ainda mais agravante: a violência, que acomete não só um lado da nação, mas também o outro, sujeitando-nos todos ao medo constante.
Um país que se convencionou chamar de Brasil dos que se conformam com tudo, divide o mesmo território com outro país denominado Brasil que imperativa e monetariamente dita as regras num jogo de poder que parece infindável, e que estabelece políticas predatórias disfarçadas de assistencialismo efetivo, cujas conseqüências silenciosamente vão rasgando a história sem que se perceba a nocividade dessa convivência nefasta.
A face mais enrugada dessa pátria-mãe, onde habitam os que se deixam iludir por projetos fantasiosos, amarga séculos de atraso sem sentir um único sinal palpável de mudanças significativas. A outra face, a mais bem tratada pela seiva da riqueza e do fausto econômico, propõe o histórico conformismo ante as mentiras disseminadas pela irracionalidade brutal de manipuladores inescrupulosos. Contudo, nenhum dos lados possui méritos verídicos para exportar conhecimento, infelizmente, ao contrário, ambos importam em grande quantidade o comportamento patético que aflora da comunicação equivocada entre as nações ricas e as nações pobres.
Escrevo tudo isso sobre o meu país, por desejar profundamente uma nação melhor, e por amá-lo. Mas ainda que sejamos um país com duas caras e com duas realidades sociais distintas, vivemos todos sob a égide da imutabilidade perpétua que assola a nossa história. Residimos todos, bem ou mal, sendo dois Brasis ou não, sob as mentiras dos discursos agressivos que despejam bravatas e falsas esperanças na mentalidade alheia dos filhos dessa terra, e que contêm promessas potencialmente desanimadoras, e que cingem de desgosto, a cada ano que passa, as expectativas de existência de um único Brasil, que efetivamente seja um país de todos, não da forma que esse imbecil e corrupto do presidente Lula apregoa.