"CULPA DE NERUDA, INVEJA DE SALIERI, LASCÍVIA DE QUEIROZ"
(Paulo Queiroz)
Direto ao assunto: quero, com poucos enunciados, e de preferência com a tua anuência, ser entendido definitivamente. As atitudes cordatas não são mais capazes de exercer as aspirações, e pretendem, ao contrário, e nesta hora, dar espaço às sensações de fato. A inábil voz não quer mais subtrair o tempo dos desejos do corpo, pois a carne quer é a ardente rendição, e o prazer... já! Não consigo mais me curvar ao desperdício dos dias, nem do tempo, sendo que o meu corpo ordena a inexorável satisfação, cabal, contigo... quer os teus beijos temerários e os teus toques imprudentes, e quer também entremear os nossos gemidos insensatos com os sussurros plangentes que vêm do infinito da tua boca. O pobre corpo quer justificar, com rigor sóbrio, a tensão que esguicha da cobiça e da nossa respiração arfada pela tesura que irrompe dos deleites previstos. Não quero mais perder tempo, quero mesmo é fazer amor com você outra vez, imediatamente.
"OJOS VERDES"
(Paulo Queiroz)
Como não sei fazer um poema pra ti, empresto-o...
Dum jeito que não existe e jamais existirá,
eu não sei mesmo fazer poemas pra ti,
dada a tua beleza infinita e surreal.
E como não sei mesmo pr'onde vai dar isso,
e nem sei escrever pra ti, empresto tudo que há sobre
as tuas formas, e escolhi, do Oswaldo Montengro,
falar, em verde, dos teus olhos verdes, lindos...
Verde, verde, folha desabada
doida cor sem ter qualquer razão de ser
mágica das coisas, das verdes coisas
dos olhos verdes de quem vê
Hortelã dos chás, dos beijos verdes
doida flor sem ter qualquer razão de ser
lógica das novas, das coisas novas
dos olhos verdes de quem vê
Doce maçã da saúde e água
doido amor sem ter qualquer razão de ser
ávida das moças, das novas moças
dos olhos verdes de quem vê
Como rã saltando é folha verde
doido acordo tem qualquer razão de ser
plástica dos olhos, dos verdes olhos
dos olhos verdes de quem vê