"CHÃOS DE VINHOS"
(Paulo Queiroz)
Vem e bebe aqui na minha fonte, amantíssima.
Há vinho suave pra nós dois, até a aurora.
Há um sabor desigual: escarlate, serpente, vingança...
As ilusões não são pequenas diante de mim.
Vem e gruda no meu corpo até o último gole.
Vem e grita bem alto que não dormirás cedinho.
E Abra os olhos agora, pra espiar ao redor...
Vês os chãos encharcados? É fé... É honra...
É nossa hora de ir dormir, abraçada a mim,
Nesta longa noite espremida entre a pressa
E o temor inerte de não acordar mais lúcidos.
Bebamos do que há preso em nossas línguas,
E provemos da agradável doçura de nós.
De dentro de nós... Vinhos e torpores...
Uma aliança interminável entre nós dois.