PALAVRA DA TERRA

"O VERDADEIRO AMOR PERDOA SEMPRE, E RECOMEÇA, SEMPRE".




Segunda-feira, Abril 30, 2007




"NÃO TENHO MEDO"
(Paulo Queiroz)

Conheço bem os caminhos que o amor poderá revelar:
Poderão ser amargos, tortuosos, acidentais e fatigantes...
Mas há evidências que indicam que poderão ser, também,
triunfantes, gloriosos, felizes, faustos e duradouros...
Por isso não tenho medo.

Não tenho medo, embora suponha ter que enfrentar o fogo;
e não me assusto com nada, mas me espanto com a ausência do amor.
Recuso-me a admitir a fragilidade sem combate,
e repudio com convicção a rendição sem luta.
Não tenho medo de te amar assim, e nunca terei,
porque sou fruto da guerra mais ostensiva que há aqui,
e sempre sobrevivi [ferido] aos tremores que abalam
o meu corpo, enquanto cativo desta escuridão dos cegos.

Não tenho medo, porque sei que inapelavelmente
a morte poderá me alcançar, cedo ou tarde,
mas jamais será capaz de extinguir do meu espírito
a glória intransferível de ter vivido um grande amor
ao teu lado, sabendo que estás [há décadas], viva, me amando...

Há os que se apavoram, e se escondem no fundo da caverna,
sob o afago temporal das asas falsas da covardia,
mas eu não, porque sou produto da coragem passional,
e sou resultado da escolha mais perfeita que já fiz: você.
Não tenho medo porque estou cansado do desamor
e da solidão que assola a minha vida dia após dia.

Compreendo as certezas saborosas da escolha perfeita,
e sinto-me feliz e honrado em desfrutá-las contigo,
mas reconheço também que as incertezas desta escolha
poderão impor o dissabor dos conflitos supervenientes,
mas não tenho medo, porque já corri demais sem chegar.

Sinto-me à vontade pra dizer que não tenho medo,
Porque, enfim, te reencontrei, depois de muitos anos...
Foi preciso esperar o sol iluminar os meus olhos escuros,
para que o rio te revelasse novamente à minha vida.

Se estiveres comigo, não terei medo algum, e te amarei...
Se ficares ao meu lado, o nenhum medo sobrevirá, e te farei mulher.
Não tenho medo... Não tenhas medo, porque eu te amo.




Sexta-feira, Abril 27, 2007




"NINGUÉM ME HABITA"

Ninguém me habita, a não ser o milagre da matéria
que me faz capaz de amor, e o mistério da memória
que urde o tempo em meus neurônios,
para que eu, vivendo agora, possa me rever no outrora.
Ninguém me habita. Sozinho resvalo pelos declives
onde me esperam, me chamam
(meu ser me diz se as atendo)
feiúras que me fascinam, belezas que me endoidecem.

Thiago de Mello




Segunda-feira, Abril 23, 2007




"FUNDAMENTOS DO SILÊNCIO".
(Paulo Queiroz)

Sabe o que andei pensando? Andei pensando sobre as confusões que nós mesmos arrumamos pras nossas vidas, e nesse sentido me sinto na obrigação de te dizer algumas coisas a respeito dessa parada controvertida... Pra começar, ando relativamente feliz da vida, não absolutamente, como você supõe. Até porque, essa frescura de "felicidade absoluta" é coisa de idiota. Isso não existe!... Pode até parecer loucura, mas, apesar de tudo, eu acredito tanto em você, que não tenho dúvida alguma de que tu vais voltar pra mim. Acredito tanto nisso, que vou até fazer algo que você seria incapaz de fazer: vou desmentir tudo o que eu disse sobre a sua pessoa. Em primeiro lugar, aquelas imbecilidades que eu falei foi apenas uma forma de atacar para me defender... Você sabe.
Acredito de verdade que você goste de mim. Tanto creio nisso que vejo nitidamente você cada vez mais arrumando formas de provar o contrário, armando coisas infundadas pra convencer o nada... Vejo também que se afunda ainda mais nesse amor que sente e não tem coragem pra assumir... Mas admito: é verdade que eu não sou rico como você, nem lindo como você, muito menos sou tão sofisticado como você ou como o seu "parceirosinho" estúpido, mas, o meu amor por ti é muito superior a todas estas coisas idiotas, e a todos aqueles que se opõem a nós.
Tanto tempo já se passou desde que o nosso amor foi interrompido pela patente covardia da gente, todavia, em momento algum fui te perturbar e nem fui atrás de você pra nada. Não fui porque considero que amor não combina com mendicância. Eu nem sequer escrevi uma única letra a você nesse período que foi de peremptório silêncio; e depois daqueles momentos de insensatez passados -- cujas lembranças dão relevância somente a agressões mútuas --, ainda hoje, e futuramente, até o dia em que você deseje novamente estar comigo, te digo que a vida será do mesmo jeito: eu jamais irei atrás de ti! Muito menos te suplicarei porcaria de amor algum! Também não te odiarei, porque te amo. Amor e ódio são sentimentos incompatíveis.
Finalmente, minha querida, cumpre dizer que, no dia que quiser me escreva, apareça, mande um e-mail, ou ainda, mande uma mensagem qualquer, ainda que seja usando nomes fictos, como tu tens feito durante meses a fio, como bem sabemos eu e você.

Receba meu beijo mais afetuoso e umedecido. Aceite o meu abraço mais carinhoso e que inspira saudade... E guarde, enquanto for capaz, a minha esperança inabalável.




Domingo, Abril 01, 2007




"O TEMPO DAS COISAS"
(Paulo Queiroz)

O que acaba não são os sonhos... Nem o amor.
Aquilo que finda é apenas o tempo das coisas...
Um tempo, que naturalmente finito, deve acabar...
E acaba como uma vida que morre para gerar outra vida...
Como um ciclo que acaba para gerar um novo tempo...
Um tempo diferente; um tempo renovador do sorriso.

O que acaba não são as esperanças de amar.
O que termina é a ilusão e os equívocos cometidos...
O que se finda é uma temporada de erros,
Que termina para fazer nascer outros novos erros,
Mas que também têm seu tempo próprio para acabar,
Como uma sombra ao pôr-do-sol, que se apaga.

O que finda nunca será um amor de verdade,
Pois amor de verdade nunca acaba no fim, assim,
Como as alegrias que terminam ao final de tudo.
O que acaba é apenas uma história frugal de amor,
Que ficará no tempo e na memória, e não passará,
Porque o que passa é apenas o sopro dum vento frio...

O que passa é a frieza do coração, que fere,
E que tolhe, ofende e fissura o corpo inteiro,
Mas que também passará, como a própria vida.
A frieza passará para gerar um novo tempo...
Um novo amor, uma nova vontade de ser feliz...

O que passa é apenas tempo. Tempo que passa...
Tempo que passa para a chegada d'outro melhor...
Um tempo esperado, que durará meses, mas que virá...
Virá um dia, depois do tempo do silêncio.
O que passa não é o amor... Não o amor verdadeiro.
O que passa é o que nunca foi amor, e acaba.