PALAVRA DA TERRA

"O VERDADEIRO AMOR PERDOA SEMPRE, E RECOMEÇA, SEMPRE".




Quarta-feira, Setembro 19, 2007




“A CUIA GRANDE DA OAB”
(Paulo Queiroz)

Via de regra, só se compra algo que está à venda. Certo? E, aprioristicamente, só se vende algo a quem deseja comprar. Certo? Certo!... Carteiras, diplomas, sentenças, despachos favoráveis, decisões, e tantos outros “artigos” deste mundinho jurídico “porquinho”, são a “onda do momento” neste “shopping da cuia grande” amazonense. Todo mundo sabe que dentro de cada entidade pública há uma cuia grande. Cada uma tem a sua. A OAB tem uma que é maior do que as demais, porque nela comem muitas pessoas sem escrúpulos... Na “cuia grande da OAB” comem muitos “peixes grandes”.
Eu sempre digo que há duas entidades que considero admiráveis, pela sua capacidade de pugnar pela conduta ordeira e legal: Ministério Público e OAB. Sempre fui admirador de tais instrumentos públicos de austeridade e rigor comportamental. Quanto ao MP, mesmo depois do nefasto episódio de ameaça de morte por parte do antigo dono da cuia grande, o Procurador-Geral jagunço, eu ainda guardo respeito à entidade MP, porque me pareceu aquilo um fato isolado oriundo de um operador do Direito totalmente louco e desprovido de responsabilidade. Uma condenação o aguarda (ou não).
Quanto à OAB, não se pode considerá-la totalmente “inútil”, doravante, para os processos de estabelecimento da ordem e da ética, neste mundinho jurídico porquinho. Tenho grande respeito, ainda, pela entidade. Digamos que, sobre o episódio do derrame de carteiras “fantas” dos bacharéis de merda, naquela cuia grande da OAB comeram muitos, mas muitos mesmo. Contudo, as coisas hão de ser apuradas com as conseqüentes punições aos “bacharéis de merda”, que comeram na cuia grande, junto com uma porrada de “gente grande”.
Aliás, sobre os bacharéis de merda, cabem algumas indagações: sabem por que o Amazonas tem sempre, ou quase sempre, seu lugar cativo na rabeira da lista nacional de aprovação nos exames da Ordem? Sabem por que, eventualmente, o Amazonas é “consagrado” à derradeira vaga na lista de aprovação do Exame? Você sabe sim! Eu sei! Todos sabem! É porque, por aqui, parte gritante dos acadêmicos ocupa a sofrível condição de mediocridade oferecida pelos sistemas que fomentam o “mínimo esforço”, a preguiça mental e que convidam todos à cuia grande universitária.
Num Estado onde as facilidades campeiam dentro da Academia, o favoritismo, o puxa-saquismo desenfreado, a preguiça, a inação, as colas em forma de pestilência e as trapaças promovidas exclusivamente pelos próprios acadêmicos com o intuito da simples aprovação em determinada disciplina, o contexto não poderia se outro, senão, essa condição estigmatizada de Unidade de Federação com o maior número de advogados burros, reprovados. Cuia grande aqui é o que não falta.
Eu mesmo conheço uma penca de infrutíferos operadores do Direito que recorrem diariamente, nas salas de aula das faculdades amazonenses, aos expedientes condenáveis da facilitação acadêmica, e tais grupos são sempre capitaneados por um mandrião que tem “bala-na-agulha” e que se favorece do “empurrãozinho” para passar no período, em detrimento de sua capacitação teórico-profissional.
Desse jeito, orientados pelo pavor da incompetência, pelo medo do futuro, e sem a menor condição de aprovação no Exame da Ordem, ou em qualquer outro certame, os acadêmicos patifes estarão sempre dispostos a hipotecar as cuecas e as calcinhas para poderem comprar carteiras falsas, sempre com a aquiescência dos que comandam as farras das cuias grandes. Pobres estudantes, que vivem aprisionados à farsa. Nunca serão advogados de fato; quiçá, nem de direito.




Segunda-feira, Setembro 10, 2007




“O MOMENTO DE CALAR”
(Paulo Queiroz)

“Na vida há momento pra tudo”, como ressalta o velho e desgastado brocardo. Cabe a cada um, entretanto, dentro do seu senso de juízo, estabelecer o instante certo para abrir a boca e o momento apropriado para guardar o silêncio. Há tempo para vociferar e há tempo para fechar o bico. Há tempo para contribuir com informações e há tempo para dizer besteiras “ad libitum”.
Conheço gente que não sabe ficar de boca fechada de jeito nenhum; gente que fala mais do que a própria língua. Gente que quando fala, e fala sempre, só evolui no quesito imbecilidade. E há lugares que parecem ser o espaço ideal para aqueles que adoram falar asneiras: festas, reuniões de trabalho, barzinhos, viagens e, sobretudo, especialmente, principalmente em salas de aula nas faculdades. Eis o lugar predileto dos indivíduos que adoram dizer besteiras. São tantos os que abrem a boca no momento errado e na hora imprópria, que nem se pode imaginar quando serão em menor número nessa vida.
Tem gente que por não participar de debates importantes para o crescimento humano, por se achar inábil para a maioria das discussões trazidas a contexto, até permanece calada por tempo longo, mas a ânsia incontida de encontrar o que dizer, seja lá o que diabos for, impõe ao sujeito uma aflição tão demasiada que o faz dar show ao falar besteiras.
Outro dia, por exemplo, estávamos em sala de aula quando de repente uma colega, dessas que sentam bem na frente; dessas que eventualmente se debruçam na carteira de estudos para dormir; dessas que têm a voz irritantemente insuportável, do tipo que parece ser sempre espetada pelo espinho do capeta, e que abre a boca na hora errada de falar e bem na hora certa de calar, e manda das suas: “mestre, quando a pessoa é presa por prisão temporária ela vai pra cadeia ou vai pra prisão?”... Ave Maria do Morro da Liberdade!!! Minha Nossa Senhora do Céu!!!
Mano, não tem coisa que me irrita mais do que pessoas idiotas. Pelo amor de Deus, Nosso Senhor! Será que é tão difícil assim conceber que cadeia e prisão são a mesmíssima coisa??? É como sovaco e axila: só mudam os substantivos! Ah, se eu pudesse, se fosse mais arretado, nessa ocasião eu diria: “Não, mana! Não vai nem para uma nem para outra. A pessoa que é presa vai lá pro Ariaú Towers!”.
Tem gente que não se manca mesmo. Maninha do céu! Vê se cala a maldita da boca! Debruce-se na carteira e vá dormir! Fique quieta em nome de Jesus!