“POEMA-DE-MULHER”
(Paulo Queiroz)
Mulher não tem raça, nem marca... nem molde nem capa.
Mulher tem um cheiro que abraça, que laça...
Um jeito que amassa um corpo de amor.
Mulher não tem sina, nem esquina... nem carma nem preço...
Mulher tem apreço... tem forma e mistérios,
Que até eu desconheço.
Mulher não é fada, nem santa... nem coisa encantada.
Mulher é de carne. É de alma e de sonhos...
É força de homem, de fêmea apaixonada.
Mulher não é noite, nem tarde e nem dia...
Mulher é agora... é sempre. É tristeza e alegria.
Mulher não é Tânia, nem Lúcia... Não é Bia e nem Vânia...
Tampouco é Antonia, Aurora, Estefânia ou Maria.
Mulher é alguma, é essa e aquela...
Mulher é guerreira que luta todo-santo-dia.
Mulher não é passado!...
Mulher é presente. É futuro... e saudade.
Mulher é carinho, é afago... é desejo.
Mulher não é flor, nem é pedaço pra dor...
Mulher é paixão... É destino... É verdade...
É poema e ternura, que começam num beijo,
que não acaba...
Mulher é tudo... vezes quer tão pouco...
Vezes quer quase nada...
Poema vencedor do I Concurso de Poesias da Escola do Legislativo da Assembléia Legislativa do Estado do Amazonas.
“VOZES”
(Paulo Queiroz)
Há vozes por todos os cantos da minha mente
Vozes no fundo da noite te chamando
Há vozes em tudo e em todos ao meu redor...
Vozes que vêm do fundo da terra
Orações que gritam pelo teu nome, amor...
Dentro da minha cabeça
Meus ouvidos se alçam
Meu espírito procura quem te chama
São vozes fortes de louvação a ti, amor
Vozes que correm nos ventos...
Dentro da minha cabeça
Donde virá a tua presença, amor?
Será que virá das pedras silenciosas?
Ou estão debaixo dos meus próprios pés?
Quem será que está te chamando, amor?
Será que é o futuro?
Ou será que é voz do passado?
As vozes da boca das flores te chamam
E lapadas dos banzeiros ecoam teu nome
Até os mortos estão te chamando, amor
As vozes nos meus pensamentos também
Há vozes até nas rochas dormentes
São vozes que chama por ti, amor...
Dentro da minha cabeça
“HERMENÊUTICA DE MERDA”
(Paulo Queiroz)
Já tô ficando invocado com essa parada. Eu escutei: “cuidado com as tentativas de interpretar as coisas ditas por mim, porque o que te parecer óbvio -- escreva -- nem de longe terá semelhança com o que eu quis realmente te falar” – disse ela. Procuro até agora entender tantas porras de palavras obscuras, especialmente as derradeiras: “tudo em você é elogiável, mas a tua alma não cabe em mim”. Depois disso dito aquela filha da mãe ficou mais silenciosa do que um segredo bem guardado. O pior de tudo é querer saber o significado das coisas e não ter a mínima condição de sequer entendê-las superficialmente.
Depois de ter pronunciado a última palavra (“mim”), ela sumiu no buraco do nada. Nem rastros, nem indícios, nem vestígios e nem porra nenhuma. Ando desassossegado com tanta inércia. Será que fui um abestalhado? Caralho! Eu juro por Deus, a última coisa que eu queria nessa vida era somente entender aquelas palavras. Ah, seu eu soubesse o que merda quer dizer “(...) a tua alma não cabe em mim”... Isso me faria plenamente satisfeito.
Começo a achar que o sentido oculto dessa putaria aí tem uma razão de ser. Não quero ser leviano, mas prejulgo que toda essa reflexão “escondida” seja para “fabricar” uma possibilidade de investigação profunda da minha parte, devido à inquietude que sinto diante de tantas trevas deixadas em suas palavras finais. Pois isso não ocorrerá. Vou aguardar pelo instante em que as coisas se desanuviem naturalmente. Prefiro esperar pela resposta “acidental”. Foda-se a hermenêutica.