“QUANDO O DESAMOR ACONTECER”
(Paulo Queiroz)
O teu corpo ocultará a dor que o teu rosto não conseguirá esconder, quando o desamor acontecer. E o teu sorriso inexistente deixará à mostra o lume do silêncio produzido pela ansiedade de recomeçar a cura do teu espírito. Quando o desamor acontecer, chegará um frio que congelará os teus olhos pálidos, atacados pela surdez dos assobios uivantes do teu sofrimento, e se estabelecerá no teu coração a amargura.
Quando o desamor acontecer, não haverá chaga visível, todavia, haverá moléstias terríveis, cuja intensidade se intensificará no tremor estrutural de tua alma não vicejante, que já dormirá debaixo do pensamento, onde a tua sobrevivência será parca.
Será assim quando o desamor acontecer: dia após dia, até que tu seques definitivamente, as tuas forças serão exauridas com a tristeza da noite que campeará no teu corpo inteiro, sucumbindo às madrugadas que não serão ligeiras. E quando o desamor acontecer [espere], se escurecerá a viveza rala dos teus olhos, apagando-se paulatinamente a centelha derradeira.
Quando o desamor acontecer, num post mortem desconhecido, tudo se fará estranho e intangível, e o desassossego parecerá infinito, porque mergulhar-se-ão num lago vazio e petrificado todos os sonhos que se projetaram quando tu amaste.
“MATHESIS MEGISTE”
(Paulo Queiroz)
Hoje -- só hoje -- descobri que não sou menor do que ninguém. Descobri que não sou menor que este nem inferior àquele; muito menos serei maior do que qualquer. Sou como todos os outros: vou aprendendo. Aprendendo, por exemplo, a curtir novos desafios na minha vida profissional de forma corajosa. Já na vida pessoal realmente sou uma bela porcaria. Claro! Nem poderia ser diferente: sou imperfeito... Jamais serei estúpido a ponto de almejar a perfeição, mas, como todo cabra teimoso, sempre busco o possível.
De estudar sempre gostei, sem frescura. Isso eu poderei sempre fazer, quando desejar. Ainda não soube ao certo o que eu quis ser na vida, muito menos sei o que sou hoje, mas, sempre acho que quero ser tudo, como sonhador que sempre fui. Ontem eu quis ser um homem lutador, depois quis ser pai; fui namorado... marido... fui amante... Eu, quando criança, quis ser sacerdote, e sempre quis ser poeta, escritor, artista plástico, músico, professor... Eu sempre quis ser amigo, companheiro, fiel, humano, solidário, religioso... Eu fui tantas coisas e outras tantas eu jamais fui capaz de ser, e muitas eu ainda serei, aprouve a Deus...
Como ser, pensante, vivente, comunicável, sou social, pertencente ao mundo. Trabalho, brinco, me divirto, me apaixono, amo, sonho... Como vivo todas estas coisas, e muitos desafios, sou um ser influenciável, como todo mundo que admite ser. Sou influenciável, sobretudo, pelo amor. Quando amo, me entrego, vivo plenamente... Com o meu amor gosto de aprender, de ser feliz, de sentir prazer. Do meu amor eu extraio tudo que posso; tudo o que me é possível hoje. Como amei muito, me entreguei e convivi, Deus me presenteou com lembranças maravilhosas, e com uma lição: você tem o dever de ser quem você quiser.
A você, querida, meus mais afetuosos agradecimentos pela certeza em mim de que sonhar é muito bom. A você, meus mais sinceros agradecimentos pela confiança, pela forma racional como pôs dentro do meu coração a autoconfiança. Agradeço pelo apoio incessante ao meu futuro, sempre... Em tudo o que eu sempre quis fazer. Obrigado por ter sido você, sempre... especial... Por ter me feito acreditar em mim mesmo. Que Deus me ajude neste novo caminho.