PALAVRA DA TERRA

"O VERDADEIRO AMOR PERDOA SEMPRE, E RECOMEÇA, SEMPRE".




Domingo, Setembro 28, 2008




“HINO AO DESENCANTO”
(Paulo Queiroz)

A tua mão, que apontou [naquele dia] o teu grande amor,
É a mesma mão que afagará os teus amantes no escuro.
Esta mesma mão, permanente e passageira,
E que acarinha pelas noites o teu esposo,
É a mesma que amola a espada há meses
Para rasgar a carne daquele que te guarda com amor ímpar.

A tua mão, que construiu o teu matrimônio [naquele dia],
É a mesma mão que o desfará, porque está aliada aos teus olhos...
Teus olhos de perfídia que se fecham para repousar à noite,
[Repousar ao lado de teu esposo]
E que passeiam [de dia] todos os dias noutros olhares,
Fazendo-o chorar de desencanto.

A tua voz, que chamou o teu esposo para a glória do amor eterno,
É a mesma que se calará no silêncio proibido da tua traição...
Traição maquinada por teus olhos que vagueiam a espreita,
Todos os dias.

O teu coração, prometido a teu esposo naquele “dia glorioso”,
E que outrora era repleto de outros corações,
É o mesmo coração que permanece imutável e profano...
O teu coração enodoado, que arruína o teu matrimônio.

Os teus ouvidos, acostumados ao prazer de ouvir “te amo!”,
São os mesmos ouvidos que já conseguem ouvir “adeus”...
O adeus inclemente que se chega com o desencanto...
Com o descuido.

O teu corpo, contemplado com os cuidados de teu esposo,
É o mesmo cuja carne está [hoje] eivada de lascívia.
É o mesmo corpo que estará liberto do matrimônio
Para se repartir com outros corpos.

A tua boca, encharcada de tantos beijos puros,
E que repetia em vão “eu te amo” incondicionalmente,
É a mesma boca que [aliada aos teus olhos] pranteará até o fim.

Esposo = Cristo
Esposa = Igreja





Segunda-feira, Setembro 22, 2008




“LEIS-MORTAS E DISPOSITIVOS CANSADOS”:
EVASIVAS DA JUDICATURA MODERNA

(Paulo Queiroz)

O modus operandi da judicatura moderna -- preguiçosa como se mostra, e mais digressiva do que a de outrora -- suscita a eternidade na duração de algumas leis, donde a preocupação do legislador na “modernização” dos dispositivos é técnica e praticamente inexistente, favorecendo a sobrevivência de normas desnecessárias e sem préstimo, que, aos solavancos, vão ruminando a cristalina Justiça e a fumaça do bom direito.
Com a perenidade das denominadas “leis-mortas”, o atendimento eficaz à multiplicidade dos casos concretos que se apresentam, encontra barreiras solapadoras quando o direito se defronta com a assustadora inércia do alcance legal, porque os princípios nucleares destas “leis-mortas” impõem, através do tempo, inalterabilidade em sua sistemática, emergindo a caducidade destes dispositivos.
Nossos códigos consolidam tantas disposições prolixas, que seu conjunto consagra notórias confusões na aplicabilidade real, onde os bons dispositivos são preteridos em beneficio de regras morosas e maçantes, bem como pouco inteligíveis. Penso que já seja chegada a hora de se empregar mais prudência à judicatura moderna, abandonando-se as exaustivas normas, atacando-se de frente as transgressões com objetividade prática, ao invés de se entesourar as dezenas de milhares de artigos que irradiam de modo chato a preguiça no Ordenamento Jurídico Brasileiro.
Ao Digesto, deve-se mais esmero e atenção, sob pena do agravamento destes sintomas de desgaste perpetuado pelos volumes grosseiros da norma que em nada somam, tampouco multiplicam, muito menos fecundam os princípios basilares dos direitos. A lei é demasiado pródiga em minúcias, e suas ordenanças particularizam sobremodo a perda desnecessária de tempo, inaugurando, a cada volume normativo criado, interrogações que vêm se fundir a tantas outras que já repousam há pelo menos dezenas de anos no Digesto Nacional.
Poucos discordam, creio, mas os fatores ostensivos de agravamento da insegurança jurídica na judicatura são: a preguiça normativa pura; a inércia legal; as controvérsias inconseqüentes; a resistência brutal ao aperfeiçoamento dos dispositivos “cansados”; a reprodução meramente servil dos amontoados de termos contidos nos digressivos julgados... Enfim, a praxis por “leis-mortas”, a meu ver, demonstra a ineficiência direta da judicatura.
Invoco o celebrado brocardo fazendo uma homenagem à transformação legal tão sonhada, que romperia o casulo do legalismo: reformatio in melius: “reforma para melhor”. De contraponto, reservo-me à aceitação -- não ao conformismo -- de ver que a Judicatura se ampara no reformatio in pejus: “reforma para pior”, por imposição da vontade do legislador, sem maiores discussões.




Sexta-feira, Setembro 19, 2008




“A MÃO DE DEUS”
(Paulo Queiroz)

Se por desventura te disserem: “tua vida, hoje, é reflexo do ontem... O que tu colhes hoje é o que plantaste antes”, cuide para que tais palavras não te dilacerem a mente. Logo que tais impropérios te romperem a alma, já afligida pela desesperança, entenda-as como sendo apenas elementos da ignorância humana. Aceite-as apenas como um sinal de que os que não te querem bem se regozijam no teu suplício. Não creias cegamente no que te dizem a respeito dos teus erros do passado, enterrado. Busques o Justo Juiz: Deus. Este é o único nesse Universo capacitado a julgá-lo.
As medidas sentenciais de Deus, além de justíssimas, são “didáticas” (por assim dizer), porque nos ensinam viver melhor e nos moldam numa forma mais apropriada à observância de seus mandamentos. Tanto que, quando sofremos, e quando experimentamos demandas que consideramos insuperáveis, a própria consciência jurídica de Deus nos afaga e nos acalma, porque Sua indulgência, embora impute pena, quebra a rigidez e impõe a lógica divina no lugar dos castigos demasiados que nossos inimigos esperam que soframos.
Deus é justo, e a Sua Justiça é suficiente para colocar os teus inimigos no cadafalso da frustração. Quanto a nós, os pecadores, depois de todo sofrimento, Ele nos entesoura e nos lapida, como diamantes crus que se tornam jóias de Deus. A amparadora caridade de Deus aborrece aqueles que torcem contra ti. Por isso, nunca atente às palavras dos teus perseguidores, tampouco contribua para o agravamento do teu estado de angústia.
Teus sintomas de padecimento e agonia serão cada vez mais severos se deres ouvidos aos teus desafetos. Espanta-os de perto de ti, invocando a misericórdia daquele que te guarda e que te prova. Aceite os objetivos de Deus, quando Ele te impõe provações, como sendo um método colimado para te transformar em um ser melhor a Seus olhos.
Toma a mão de Deus, que está sempre estendida pra ti, mas que a tua visão turvada pela fraqueza humana te impede de vê-la. Esta mão, poderosa como é, atravessa todo o firmamento jurídico do mundo de modo avassalador, porque aplica a verdadeira Justiça, que contraria a Justiça defeituosa dos homens. A trajetória da mão de Deus passa pela nossa pobre consciência como um farol, nos guiando, nos mostrando a senda, a diretriz a se seguir.
Por fim, cabe dizer que a mão de Deus não pesará sobre a tua cabeça, porque jamais será um laço eterno que te prenda ao sofrimento sem fim. Muito menos será um grilhão que te encadeie num universo de penalidades que alterem o sentido contido nas Suas palavras, que estão recheadas de promessas para ti. Promessas de salvação e de felicidade, às quais buscamos e esperamos. Toma a mão de Deus. Já!

Deus contigo!