PALAVRA DA TERRA

"O VERDADEIRO AMOR PERDOA SEMPRE, E RECOMEÇA, SEMPRE".




Quarta-feira, Dezembro 10, 2008




"O FUTURO JÁ PASSOU"
(Paulo Queiroz)

O calor já se esfriou, derretendo-se de dor,
num piscar de olhos tristes...
num viver de poucos meses... confusos dias.
E o futuro já passou como um raio,
desmoronando sobre os sonhos,
e destruindo as estradas de acesso ao coração.

Mãos soltas em pleno redemoinho,
apartando os caminhos e montando a solidão.
Nada é certo, como incerto é o agora.
Tudo é pranto, como o grito de ir embora.
Ir embora pra bem longe,
como se pudesse o amor matar;
como se mortos acordássemos,
descobrindo que dormir é bem melhor.

O futuro não pertence a Deus.
Ele é o próprio Deus, viajando pelos ares,
ensinando que ser só é às vezes pior,
porque supunhamos que um dia fosse ser melhor.
O futuro já está morto, assim como as idéias.
O futuro já passou, assim como a existência...

O amor sempre foi mito,
que existiu e se expirou.
Nada será agora como tivera sido antes,
porque nem o hoje haverá...
Porque o futuro já passou.




Terça-feira, Dezembro 02, 2008




"CULPA DE NERUDA, INVEJA DE SALIERI, LASCÍVIA DE QUEIROZ"
(Paulo Queiroz)

Direto ao assunto: quero, com poucos enunciados, e de preferência com a tua concordância, ser entendido definitivamente. O bom senso não é mais capaz de exercer as aspirações, e pretendem, ao contrário, e nessa hora, dar espaço às sensações de fato, verdadeiras. A covarde voz não quer mais subtrair o tempo dos desejos deste corpo meu, pois a carne quer é a ardente rendição, e o prazer... já! Agora!.. Não consigo mais me curvar ao desperdício dos dias, nem do tempo, sendo que o meu corpo ordena a inexorável satisfação, cabal, contigo... somente contigo... quer os teus beijos temerários e os teus toques imprudentes, e quer também entremear os nossos gemidos insensatos com os sussurros plangentes que vêm do infinito da tua boca... do teu hálito. O pobre corpo quer justificar, com rigor sóbrio, a tensão que esguicha da cobiça e da nossa respiração precipitada pela tesura que irrompe dos deleites previstos. Não quero mais perder tempo, quero mesmo é fazer amor com você outra vez, imediatamente. Agora!