PALAVRA DA TERRA

"O VERDADEIRO AMOR PERDOA SEMPRE, E RECOMEÇA, SEMPRE".




Sexta-feira, Maio 15, 2009




"VASO NOVO"
(Paulo Queiroz)

Não quero, não, ser mais colado
Quero mesmo é ser refeito
Meu desejo é ser muito melhor
Mas nunca serei perfeito

Dou a vida por outra vida
Pelo amor que carrego no peito
Anseio que Deus por mim decida
E que nada seja do meu jeito

Do mundo não quero mais nada
Mas se for de Deus eu aceito
Não deitarei mais sobre remendos
E escolho o caminho estreito

Não quero, não, ser consertado
Prefiro mesmo é ser refeito
Que meu amor seja de Deus
Porque amar é meu direito




Quarta-feira, Maio 13, 2009




“RESPIRAR A CULTURA”
(Paulo Queiroz)

Quando não estou trabalhando, estou descansando, e quando estou descansando, para não perder as horas “ociosas” em coisas vãs, leio de tudo. Nos últimos dias tenho me debruçado sobre as assertivas de Pinsky, que considero um grande pensador. Segundo o mestre, toda a produção material ou imaterial do gênero humano pode ser chamada de cultura. Num sentido mais estreito, podemos falar da cultura como sendo o patrimônio que a humanidade acumula a cada geração. Afeiçôo-me a este último conceito, mas respeito os demais.
Sociólogos importantes, como Octávio Ianni e José de Souza Martins, estabeleceram com clareza essa distinção ao escreverem contra uma suposta defesa da cultura popular que, na verdade, não é nem popular, nem cultura... Concordo novamente.
Sou compositor, artista plástico e poeta, do que muito me orgulho, por isso entendo que num país em que cada pessoa compra, em média, menos do que um livro por ano, é importante o esforço no sentido de incrementar a leitura. O acesso a bons filmes talvez possa retardar o processo de infantilização de adultos (comédias idiotas, desenhos elementares, personagens sem conteúdo). Visitando bons museus (pessoal ou virtualmente), as pessoas estabelecem um contato mais estreito com importante parcela do patrimônio cultural da humanidade preservado nesses espaços.
A universidade brasileira está assentada no tripé docência / pesquisa / extensão, o que pressupõe profissionais comprometidos com a investigação séria, a docência responsável e o estabelecimento de uma relação generosa com a comunidade por meio de cursos de extensão universitária.
É evidente que há excelentes intelectuais que, por características de personalidade, especificidade do campo de trabalho ou decisão pessoal, atuam apenas dentro dos muros da academia. Esses não criticam aqueles que decidiram dialogar com a sociedade, tentando tornar conhecimentos técnicos e reflexões profundas acessíveis aos não-especialistas. Sabem que, em tempo de muita informação desconexa, a ação de intelectuais desse tipo é fundamental.
Aqui no meu Amazonas os tiros são sempre disparados por escritores limitados, autores sem obra, que nem eu, pensadores sem tese, profissionais desacreditados que só garantem o seu emprego em razão da estabilidade e do corporativismo, quando não por ligações espúrias com os detentores do poder.
Aos mestres supra, minha admiração mor, e meus respeitos, porque reconheço que pensar cultura é o mesmo que respirá-la, senão, seremos sempre artistas desaculturados e fantasiados de “homens cultos”.




Sexta-feira, Maio 08, 2009




“MUDANÇA”
(Paulo Queiroz)

Cada dia, novo dia, este dia,
dia de hoje que se inicia nascido na esperança.
Novo tempo, a cada tempo, este tempo,
que começa neste dia, que é tempo de recomeçar...
Tempo de contar as horas que ainda virão,
e que serão melhores, a cada dia.
Sinto vida, na presença da mudança,
que vem reduzindo essa tristeza.
Já vejo as letras do poema,
e já ouço um cântico que me anima e que me embala.
Novo dia, outro dia, o meu dia,
quem diria, neste dia um futuro que eu não via.




Quinta-feira, Maio 07, 2009




“A LOUCURA NAS RELAÇÕES DE AMOR”
(Paulo Queiroz)

Quer descobrir um método muito eficaz, silencioso e “formidável” (vezes prazeroso) de tentar enlouquecer? Há vários, pelo que se vê nas literaturas de psiquiatria, sobretudo a forense, mas, um merece atenção especial, pelos contornos que possui e pela sua qualidade peculiar de fazer com que o indivíduo afunde num mar de loucura sem sentir. Refiro-me a um “tipo de amor”, amor problemático, no qual você se entrega sem medidas, anulando todos os óbices e empecilhos, sem observar regras ou mandamentos, por amor a alguém que você considera ser a pessoa ideal, para depois enlouquecer de decepção.
Um amor problemático pode te envolver de muitas formas, sem que você se dê conta dos riscos e das ameaças que fluem dele, e, na maioria das vezes, te leva ao buraco do qual você precisará de meses para conseguir sair (se sair); um buraco onde vezes você sorri, vezes chora, e, dentro desse buraco, você cria na sua mente um padrão de oscilação que te faz conviver sem estranheza com a tristeza e com a felicidade, numa mesma ambiência passional.
Quando nos apaixonamos não costumamos ser prudentes, -- e isso até é muito natural -- contudo, os princípios mais essenciais que deixamos de observar são os que mais concorrem para que conheçamos os traços da loucura, e esses traços nascem das decepções que sentimos quando descobrimos que “caímos numa esparrela” armada pela nossa própria imaturidade e “afoiteza”, por causa de um amor que te impede de ir adiante.
As virtudes mais relevantes que ignoramos num amor, via de regra, porque já entramos num patamar avançado de apego, do qual temos extrema dificuldade de sair, são: a dedicação, a disciplina, o comprometimento, o potencial de lealdade, a organização, o cuidado, entre outros. A inexistência dstes fatores nos fazem caminhar rumo à loucura mórbida, porque, quando gostamos muito de alguém e lutamos muito para modificar as suas características que contribuem para o insucesso no amor, daí, e depois de tanta luta quase nada muda, aí não tem jeito: ou acabamos beirando a loucura ou desistimos (e neste último caso, sempre saímos fragmentados).
O melhor a fazer mesmo -- se é que isso serve de conselho -- é desistir, porque ficar jogando a sua vida fora, lutando contra um “inimigo” cuja face não se vê, é o mesmo que pedir para ficar doido, deprimido, envergonhado e prejudicado. É o mesmo que pedir para morrer.
Seja prudente, e não enlouqueça. Procure um amor que lhe dê “guarida”, e que saiba reconhecer seus erros como sendo defeitos mutáveis, e que, sem olhar apenas a “carne”, procure dar valor aos seus esforços e a sua luta pela evolução da relação, caso contrário, a única coisa que evoluirá será a sua loucura. Cuide-se! Fuja de um "amor" assim, enquanto pode!




Segunda-feira, Maio 04, 2009




"A ÚLTIMA CHANCE"
(Paulo Queiroz)

Hoje, agora, é a minha última chance. Reconheço que já tive várias oportunidades de viver dignamente e desperdicei todas elas, jogando no lixo a minha honra e a minha dignidade. Nem sei ao certo quantas chances eu tive. Sei que foram muitas. Agora só tenho mais uma, e depois desta não haverá outra, nunca mais. Estou farto de cometer erros sucessivos e reiterados, infringir regras, mentir, iludir e ser iludido, forjar circunstâncias e ser vitimizado por sentimentos malignos, que cravaram, ao longo da minha história, a vergonha dentro de mim.
Deus me convida -- e me estende a Sua misericordiosa mão --, mais uma vez, para viver uma vida verdadeira, limpa, reta, despojada das sujeiras comuns dos homens enlouquecidos pelos vícios. Eu aceitei, e nem posso mais hesitar, e sendo esta a minha última chance, vou lutar para mudar os rumos da minha vida. Deus me abençoe e me guarde, e, sobretudo, sare as minhas chagas que foram aprofundadas pela desilusão.
De hoje em diante não estarei mais disposto a quedas, porque nem tenho mais tempo pra isso... Porque já cometi todos os erros que um homem poderia cometer. Ando cansado e envergonhado... Ainda tenho uma chance. Quero outra vida.